Fala, pessoal! Tudo certo?
Teve uma fase da minha preparação em que eu tinha certeza de que dominava um assunto, só de ter assistido à aula e revisado o resumo algumas vezes. Aí caía numa questão discursiva ou numa pergunta direta de um colega de estudo e simplesmente travava na hora de explicar. Foi aí que conheci o Método Feynman, e percebi que boa parte da minha certeza de domínio era só familiaridade com o texto, não compreensão de verdade.
Neste artigo vou explicar o que é esse método, por que ele funciona bem para quem estuda conteúdo técnico como Direito Tributário e Contabilidade, e como aplicá-lo na rotina de concurseiro sem gastar tempo demais.
O assunto e os mitos dele
Um mito comum é achar que o Método Feynman só serve para quem já sabe muito, como se fosse uma técnica avançada reservada a quem já domina o conteúdo. Na verdade, ele funciona exatamente ao contrário: é mais útil justo no processo de aprender algo novo, porque expõe rapidamente as lacunas que você ainda tem.
Outro mito é achar que o método é perda de tempo porque não envolve ler mais conteúdo nem resolver mais questões. Só que o valor dele está justamente em revelar, de forma rápida, onde está a fragilidade do seu entendimento, direcionando melhor o tempo que você vai gastar depois revisando ou resolvendo questões.
Também existe quem confunda o Método Feynman com simplesmente reler o material em voz alta. Não é isso. A essência do método é explicar com suas próprias palavras, de forma simples, como se estivesse ensinando para alguém que nunca ouviu falar do assunto.
O assunto na prática
O método, criado com base na forma de ensinar do físico Richard Feynman, segue basicamente quatro passos. Primeiro, você escolhe um conceito e escreve o nome dele no topo de uma folha ou documento digital. Segundo, você explica esse conceito como se estivesse ensinando para uma criança ou para alguém que nunca estudou o assunto, usando linguagem simples, sem jargão técnico. Terceiro, você identifica os pontos onde travou, onde precisou usar um termo técnico sem saber explicar o porquê, ou onde a explicação ficou confusa. Quarto, você volta ao material, revisa exatamente esses pontos de dificuldade, e tenta explicar de novo, agora de forma mais simples e clara.
Para concursos, esse processo funciona muito bem em temas técnicos e cheios de exceções, como institutos de Direito Tributário, entre eles imunidade, isenção, decadência e prescrição, ou tópicos de Contabilidade que exigem entender a lógica por trás de um lançamento contábil, não só decorar a fórmula.
Erros Comuns
Explicar só mentalmente, sem escrever ou falar em voz alta
O valor do método está em externalizar a explicação, seja escrevendo ou falando. Fazer isso só na cabeça não expõe as lacunas da mesma forma.
Usar termos técnicos na explicação
Se você explica um conceito usando outro termo técnico que também precisa de explicação, o método perde a força. A ideia é simplificar de verdade, com uma linguagem que qualquer pessoa entenderia.
Aplicar o método em todo assunto, mesmo os mais simples
Assim como no Método Cornell, nem todo conteúdo exige esse nível de processamento. Reserve o Feynman para os temas mais densos e cheios de exceções.
Não voltar ao material depois de identificar a lacuna
De nada adianta identificar onde você travou se você não volta para revisar exatamente aquele ponto. O método só fecha o ciclo quando você retorna e tenta explicar de novo.
Dicas práticas
- Use o Método Feynman logo depois do primeiro contato com um assunto novo e denso, para identificar rapidamente onde estão suas lacunas.
- Explique em voz alta, de preferência para outra pessoa, mesmo que ela não entenda do assunto. A dificuldade de simplificar aparece justamente ao tentar se fazer entender.
- Se não tiver ninguém disponível, grave um áudio se explicando ou escreva a explicação como se fosse para um post de blog.
- Reserve o método para temas técnicos, cheios de exceção, como imunidade, isenção, decadência, prescrição e institutos de Contabilidade.
- Combine o Feynman com o Método Cornell: use o Feynman no primeiro contato para identificar lacunas, e o Cornell para estruturar as anotações depois.
Minha experiência
Descobri o Método Feynman num momento em que eu precisava entender por que, mesmo estudando bastante, eu ainda errava questões de temas que achava que já dominava. Comecei a testar o método em institutos de Tributário que sempre me davam dor de cabeça, como imunidade e isenção, tentando explicar cada um como se estivesse conversando com alguém que nunca tinha ouvido falar de Direito Tributário.
A primeira vez que fiz isso, travei em pontos que eu jurava que sabia. Isso foi revelador: mostrou que boa parte da minha sensação de domínio vinha da familiaridade com o texto, não do entendimento real do conceito. Depois de algumas semanas usando esse processo em temas mais densos, a diferença apareceu nos simulados, principalmente nas questões que exigiam aplicar o conceito num caso concreto, não só reconhecer a definição.
Conclusão
O Método Feynman não é sobre reler o material de um jeito diferente. É sobre testar, de verdade, se você entende o que estudou. A simplicidade do processo é o que faz ele funcionar: se você não consegue explicar um conceito de forma simples, ainda não o domina por completo. E é justamente essa lacuna que, se não for identificada antes, a banca vai encontrar por você no dia da prova.