Terminou a prova. Você saiu da sala com um misto de alívio, ansiedade e dezenas de perguntas na cabeça.
“Será que fui bem?”
“Será que ainda tenho chances?”
“Devo começar a estudar para a próxima prova ou esperar o resultado?”
Independentemente da classificação final, existe uma etapa da preparação que muitos candidatos negligenciam e que pode acelerar bastante sua evolução: a análise do resultado.
A prova não termina quando você entrega o cartão-resposta. Ela só chega ao fim quando você extrai todas as lições que aquela experiência pode oferecer.
E é sobre isso que vamos conversar.
O resultado e seus mitos
Muitos candidatos enxergam o resultado de uma prova apenas sob dois prismas: aprovado ou reprovado.
Existe uma tendência natural de transformá-lo em uma espécie de sentença sobre toda a preparação:
“Fui mal. Então, não estou preparado.”
Na prática, existe uma visão muito mais útil. O resultado precisa ser encarado com realismo, mas sem cobranças excessivas.
Uma prova representa seu desempenho em um determinado dia, diante de uma determinada banca, com determinado nível de dificuldade e dentro das condições em que você se encontrava naquele momento.
Outro mito é acreditar que toda questão errada significa falta de conhecimento. Não é assim que funciona.
Você pode errar porque nunca estudou determinado conteúdo, mas também pode errar porque esqueceu uma informação, confundiu dois conceitos, chutou, interpretou mal o comando ou simplesmente não teve tempo suficiente. E cada uma dessas causas exige uma abordagem diferente.
Estratégia prática de análise
Cada prova representa uma oportunidade de gerar informações sobre sua preparação. Ela mostra:
- seus pontos fortes;
- suas principais lacunas de conhecimento;
- a validação de sua estratégia de prova;
- seu comportamento sob pressão;
- aquilo que funcionou e o que precisa ser ajustado.
Quanto mais criteriosa for essa análise, maior tende a ser o aprendizado para os próximos concursos.
1) Assista às correções das questões o quanto antes
Essa talvez seja uma das orientações mais importantes: assim que as correções começarem a ser publicadas pelos professores dos cursos preparatórios, seja por meio de videoaulas, seja por resoluções escritas nos blogs, procure buscá-las. Quanto antes, melhor.
Sua memória ainda estará fresca. Você conseguirá lembrar exatamente o que pensou durante cada questão. Isso facilita identificar:
- onde interpretou errado;
- qual conceito confundiu;
- por que escolheu determinada alternativa.
O objetivo não é apenas descobrir qual era o gabarito. É entender qual teria sido a forma correta de raciocinar. Tente reconstruir seu raciocínio.
2) Classifique seus erros
Nem todo erro possui a mesma origem. Uma análise interessante é separar cada questão errada em categorias. Por exemplo:
- desconhecimento: nunca estudou ou não chegou naquele conteúdo;
- esquecimento: sabia a matéria, mas não conseguiu recuperar a informação;
- confusão conceitual: misturou conceitos e institutos parecidos;
- chute frustrado: não sabia ou estava com dúvidas e acabou errando na tentativa;
- falta de atenção ou de tempo: erro provocado pela execução da prova.
Essa classificação é extremamente útil. Ela mostra exatamente onde sua preparação precisa ser ajustada.
Talvez você precise revisar mais. Talvez precise fortalecer determinado material. Ou até rever completamente sua estratégia de execução da prova.
3) Faça uma análise fria por disciplina
Evite olhar apenas o percentual geral. Analise disciplina por disciplina. Pergunte-se:
- esse resultado foi compatível com meu conhecimento?
- eu normalmente performava assim em casa?
- essa prova estava mais difícil do que o habitual?
- a banca mudou o padrão de cobrança?
Esse tipo de comparação produz conclusões muito mais confiáveis.
4) Reflita sobre sua preparação de Pós-Edital
Terminada a prova, também vale analisar toda a preparação específica daquele concurso. Algumas perguntas ajudam bastante:
- O que funcionou muito bem?
- O que não funcionou como eu esperava?
- O que faria diferente hoje?
- Minha estratégia de revisões finais foi eficiente?
- A distribuição do tempo entre as disciplinas foi adequada? E sua ordem de execução?
- Meu comportamento na véspera da prova ajudou ou atrapalhou?
- Dormi bem?
- Consegui controlar a ansiedade?
Essas respostas serão extremamente valiosas para o próximo edital.
5) Mapeie suas dificuldades
Depois da correção, monte uma lista. Dentro de cada disciplina, anote os assuntos em que seu desempenho ficou abaixo do esperado. Por exemplo:
Direito Tributário
- Responsabilidade Tributária;
- Imunidades;
- Prescrição e Decadência.
Contabilidade Geral
- Demonstração dos Fluxos de Caixa;
- Equivalência Patrimonial;
- CPC 27.
Esse mapeamento mostra exatamente onde concentrar seus esforços quando a preparação voltar ao Pré-Edital.
Erros comuns após a prova
1) Não querer olhar a prova novamente
Alguns candidatos ficam tão frustrados que simplesmente fecham o caderno e nunca mais voltam a ele. Com isso, deixam escapar uma oportunidade valiosa de aprendizado.
2) Tirar conclusões apenas pela nota
A nota é importante. Mas ela conta apenas parte da história.
Às vezes você fez uma boa prova e encontrou um nível de dificuldade elevado. Em outras situações, a nota foi boa, mas vários acertos vieram por chutes.
Por isso, olhar apenas o número final pode levar a interpretações equivocadas.
3) Fazer cobranças excessivas
Esse também é um erro bastante comum.
Após a prova, muitos candidatos passam dias pensando apenas nas questões erradas.
Veja bem: é importante analisar os erros, mas sem transformar esse momento em um julgamento pessoal. Você não é definido por uma prova.
Ela apenas mostra o estágio da sua preparação naquele momento. Encare o resultado com realismo: nem euforia quando vier um bom desempenho, nem excesso de culpa quando ele ficar abaixo do esperado.
Dicas práticas
a) Atualize seus materiais de revisão
Se determinada questão trouxe uma pegadinha interessante, uma jurisprudência nova ou um detalhe importante, complemente seu resumo, seu mapa mental ou seu material de revisão.
Assim, aquele erro dificilmente voltará a acontecer.
b) Revise sua estratégia de prova
Além do conteúdo, analise sua execução. Pergunte-se:
- comecei pela disciplina certa?
- administrei bem o tempo?
- insisti tempo demais em questões difíceis?
- chutei quando deveria?
- pulei quando deveria?
Esses pequenos ajustes podem representar vários pontos na próxima prova.
c) Não deixe a análise para semanas depois
Quanto mais próximo da prova você fizer essa avaliação, mais detalhes conseguirá lembrar. Isso torna toda a análise muito mais rica.
d) Guarde essas informações
Crie um documento chamado: “Lições aprendidas”.
Após cada concurso, registre tudo. Antes da próxima prova, releia esse material.
Você perceberá que muitos erros deixam de se repetir.
Minha experiência
Logo após determinada prova, eu separava dois a três dias para analisar os resultados. Era o momento em que assistia às correções dos professores para entender cada ponto que deixei para trás.
Não era o momento apenas de descansar, mas também de refletir sobre aquela minha preparação daquele pós-edital: o que funcionou e deveria ser replicado nas próximas provas, o que poderia ser realizado de outra maneira.
Não bastava somente anotar os percentuais de desempenho em cada disciplina, mas buscar as razões que levaram ao erro. Por vezes, uma matéria estava em um nível de cobrança bem elevado ou fugia dos padrões da banca. Em outras, houve confusão de conceitos ou faltou tempo para uma análise mais fria da questão. Uma alocação de tempo menor que a necessária em uma certa disciplina pode fazer com que algumas informações não estejam facilmente resgatáveis na memória na hora da prova.
Perceba que era uma análise profunda, buscando ter algumas respostas que guiassem mudanças em minha forma de estudo, de encarar determinada disciplina ou ajustar minha execução de prova.
Conclusão
Todo resultado carrega muito mais informação do que apenas uma classificação.
Ele mostra o nível da sua preparação, revela suas principais dificuldades e aponta caminhos para evoluir.
Uma boa análise costuma envolver:
- assistir rapidamente às correções das questões;
- entender o raciocínio correto;
- classificar cada erro pela sua causa;
- analisar friamente o desempenho em cada disciplina;
- refletir sobre toda a preparação do Pós-Edital;
- mapear os assuntos que precisam de reforço;
- ajustar materiais de revisão e estratégia de prova.
Muitos candidatos acreditam que a experiência vem apenas com o tempo.
Na verdade, ela vem principalmente da capacidade de aprender com aquilo que viveu. Cada prova deixa ensinamentos. Cada ambiente de prova fortalece seu controle emocional. Cada análise pós-prova amplia sua visão sobre a preparação.
É justamente dessa combinação que nasce uma das maiores vantagens competitivas de um concurseiro experiente:
experiências + ambiente de prova + análise pós-prova = bagagem de prova.
E essa bagagem, construída concurso após concurso, costuma ser um dos fatores que aproximam o candidato da tão sonhada aprovação.