Quem olha uma foto da posse dificilmente consegue imaginar tudo o que aconteceu antes dela.
Eu estudei durante mais de quatro anos até alcançar minha última aprovação. Nesse período, naturalmente, não foram todos os dias em que acordei motivado, confiante e absolutamente certo de que tudo daria certo. Muito pelo contrário.
Existiram reprovações. Provas em que esperava um resultado melhor. Existiram dias de cansaço, dúvidas sobre a estratégia e momentos em que parecia que aquela caminhada estava demorando muito mais do que eu gostaria.
Quem já estuda há algum tempo provavelmente sabe exatamente do que estou falando.
Se há uma característica que aparece com frequência na trajetória de candidatos aprovados na Área Fiscal, ela é a resiliência.
Muita gente acredita que a aprovação depende apenas de inteligência, facilidade para aprender ou capacidade de estudar muitas horas por dia.
É claro que tudo isso pode ajudar, mas dificilmente sustenta uma preparação que, muitas vezes, dura anos.
A jornada do concurseiro é feita de altos e baixos. Existem semanas excelentes, mas também existem aquelas aquém do esperado, provas ruins, editais suspensos, problemas pessoais, cansaço e momentos em que a vontade de desistir aparece.
E é justamente nessas fases que a resiliência faz diferença.
Os Mitos da Resiliência
Existe uma interpretação equivocada de que ser resiliente significa ser uma pessoa mentalmente inabalável. Não é isso.
Resiliência não significa nunca desanimar. Também não significa ignorar dificuldades ou fingir que está tudo bem.
Na prática, ser resiliente é conseguir continuar caminhando mesmo quando as circunstâncias não são favoráveis.
Quem estuda para concursos da Área Fiscal inevitavelmente enfrentará situações como:
- desempenho abaixo do esperado em uma prova;
- dificuldade em determinadas disciplinas ou em conteúdos de uma mesma matéria;
- atrasos no cumprimento do planejamento;
- alterações de edital;
- problemas pessoais ou profissionais.
Esses obstáculos fazem parte da caminhada.
O que costuma diferenciar muitos aprovados é a forma como eles reagem a essas situações. A diferença está no que acontece depois.
A pessoa resiliente consegue, aos poucos, reorganizar-se e voltar para o caminho.
Na verdade, cada dificuldade superada vai deixando você um pouco mais preparado para enfrentar a próxima.
Erros comuns que enfraquecem a resiliência
1) Acreditar que uma prova define toda a preparação
Depois de um resultado ruim, alguns candidatos concluem rapidamente:
“Não levo jeito para isso.” ou “Será mesmo que sou capaz?”
Mas uma prova representa apenas um retrato daquele momento. Ela não define seu potencial nem determina o restante da sua trajetória.
2) Enxergar os erros como fracassos
Errar faz parte do processo.
Na verdade, boa parte da evolução acontece justamente quando identificamos nossas falhas.
O problema é transformar cada erro em motivo para desistir ou se autossabotar.
3) Resistir às mudanças
Às vezes, determinada estratégia deixa de funcionar. Pode ser um material com uma didática que não se adaptou, uma ferramenta de estudos ineficiente para você ou uma forma de revisão que não encaixou.
Alguns candidatos insistem no mesmo caminho apenas porque já investiram muito tempo nele, ou porque alguns aprovados fizeram dessa forma. Nem sempre essa é a melhor decisão.
4) Esperar estar motivado todos os dias
A motivação oscila. Isso é natural. Quem depende dela para estudar costuma ter uma preparação bastante irregular.
A resiliência aparece justamente quando você consegue manter o compromisso mesmo nos dias menos inspiradores.
Estratégia prática para desenvolver a resiliência
a) Visualize seu objetivo
Durante minha preparação, uma estratégia simples me ajudava bastante: eu costumava deixar algo fixado na parede, atrás do computador, que me lembrava diariamente do motivo pelo qual estava estudando.
Podia ser uma foto, uma frase ou qualquer representação do cargo que eu desejava conquistar. No meu caso, uma foto da praia, onde sempre quis morar.
Sempre que o cansaço aparecia, bastava olhar para aquilo e lembrar: “É por isso que estou fazendo esse esforço, é lá que vou chegar.”
Visualizar-se aprovado, imaginando como será sua rotina no cargo, as mudanças que essa conquista proporcionará para você e para sua família, a melhoria da qualidade de vida, tudo isso ajuda a dar clareza ao propósito.
E quando o propósito está claro, fica mais fácil enfrentar os momentos difíceis.
b) Aprenda com os erros
Existe uma frase que gosto bastante: Os erros são professores silenciosos.
Eles mostram exatamente onde você precisa evoluir.
Em vez de perguntar: “Por que errei?”
Experimente perguntar: “O que esse erro está tentando me ensinar?”
Essa mudança de perspectiva transforma frustração em aprendizado.
c) Desenvolva flexibilidade
Nem toda estratégia funcionará para todos. Talvez você descubra que:
- determinado material não se adapta ao seu perfil;
- uma ferramenta de revisão não trouxe o resultado esperado;
- seja necessário reorganizar completamente sua rotina.
Isso faz parte.
A flexibilidade é uma das características mais importantes de uma preparação longa.
Adaptar-se rapidamente costuma ser mais produtivo do que insistir indefinidamente em algo que claramente não está funcionando.
d) Busque inspiração quando precisar
Existem momentos em que a motivação realmente diminui. Nessas horas, vale recorrer a fontes de inspiração. Por exemplo:
- entrevistas de aprovados;
- histórias de superação;
- relatos de candidatos que enfrentaram dificuldades semelhantes;
- uma conversa franca e aberta com seu mentor, se você possuir um.
Ver pessoas reais que passaram pelos mesmos desafios ajuda a lembrar que o caminho até a aprovação raramente é linear.
Dicas práticas
a) Cuide da saúde física
Corpo saudável e mente eficiente caminham juntos.
Praticar atividade física regularmente costuma trazer benefícios importantes para a disposição, a concentração, o controle da ansiedade e a qualidade do sono.
b) Desenvolva hábitos saudáveis
Além dos exercícios físicos, procure manter:
- boa alimentação;
- rotina de sono adequada;
- momentos de descanso.
A preparação para concursos é uma maratona. Sustentar esse ritmo exige energia.
c) Considere técnicas de relaxamento
Práticas como meditação podem ajudar alguns alunos a melhorar a concentração e lidar melhor com momentos de ansiedade. Experimente começar com uma meditação guiada para desacelerar.
Não existe uma única técnica que funcione para todos, mas vale experimentar e observar o que faz sentido para sua rotina.
d) Lembre-se do quanto já caminhou
Nos momentos difíceis, é comum olhar apenas para o que ainda falta. Mas também vale olhar para trás.
- Quantos conteúdos você já aprendeu?
- Quantas dificuldades já superou?
- Quantas questões hoje você acerta e, meses atrás, errava?
Esse exercício ajuda a enxergar uma evolução que muitas vezes passa despercebida. Seja menos duro consigo mesmo.
Minha experiência
Quando olho para minha trajetória, consigo perceber que algumas das reprovações tiveram um papel importante na construção da minha aprovação.
Não porque reprovar seja algo bom. Obviamente, eu preferia ter passado antes Hahaha.
Mas, uma vez que aquilo aconteceu, eu tinha duas possibilidades: poderia simplesmente lamentar; ou poderia tentar entender o que aquela experiência estava me ensinando.
Ao longo da minha preparação, tive reprovações em concursos como SEFAZ AL, SEFAZ CE e ISS Aracaju antes de conquistar aprovações importantes.
Cada prova acrescentava alguma coisa: mais experiência, mais maturidade e mais conhecimento sobre o meu próprio comportamento em prova. E também mais “casca” para lidar com os resultados seguintes.
Depois de alguns tombos, você percebe que uma reprovação dói, mas passa.
Você volta a estudar. Outra oportunidade aparece. E você chega nela um pouco diferente.
Foi assim que comecei a enxergar a resiliência: não como uma característica que eu precisava ter antes de começar, mas como algo que estava sendo construído durante a própria caminhada.
Conclusão
A resiliência não nasce pronta. Ela é construída.
Cada dificuldade enfrentada, cada erro corrigido e obstáculo superado fortalecem um pouco mais sua capacidade de continuar caminhando.
Ao longo da preparação, procure:
- manter seu propósito sempre visível e vivo;
- aprender com os próprios erros;
- adaptar estratégias/ferramentas de estudo quando necessário;
- buscar inspiração em histórias reais;
- cuidar da saúde física e mental.
Ninguém chega até uma aprovação importante sem passar por momentos de dúvida e oscilação.
A diferença é que o candidato resiliente entende que essas fases fazem parte do processo e continua avançando.
No final das contas, a resiliência não é apenas uma característica dos aprovados: ela é uma habilidade que pode ser desenvolvida, praticada e fortalecida ao longo da preparação.
E, muitas vezes, é justamente ela que mantém o candidato no jogo tempo suficiente para que todo o esforço investido se transforme na tão sonhada aprovação.