Elaborado por: Felipe Costa
Fala, futuro auditor!
Uma dúvida bastante comum entre quem inicia na preparação para concursos fiscais é a seguinte: existe um perfil específico de aluno que consegue a aprovação?
Muita gente imagina que os aprovados são pessoas “fora da curva”, com memória excepcional ou uma capacidade intelectual e cognitiva muito acima da média. Na prática, olhando para centenas de alunos ao longo dos anos, a realidade costuma ser bem diferente.
O que normalmente se observa é um conjunto de comportamentos e estratégias que, quando aplicados de forma consistente ao longo do tempo, acabam levando o candidato a um nível competitivo e deixando-os mais próximo da aprovação.
Ou seja, mais do que talento ou genialidade, o que costuma aparecer com frequência é um perfil de estudo bem estruturado, com disciplina, método e paciência para atravessar todas as etapas da preparação.
Contextualização do tema
A preparação para a Área Fiscal envolve um número grande de disciplinas, conteúdos extensos e um nível elevadíssimo de concorrência.
Em muitos casos, o candidato precisa lidar com:
- 15 a 20 disciplinas ao longo da preparação
- um processo que pode durar anos;
- provas com alto nível de cobrança técnica.
Por esse motivo, o processo de aprovação costuma estar muito mais relacionado à forma como o aluno conduz sua preparação do que a características pessoais isoladas.
Ao longo da jornada, o aluno vai evoluindo em etapas:
a) construção da base da Área Fiscal;
b) aumento gradual de disciplinas teóricas concomitantes e manutenção do conhecimento por questões;
c) fechamento das lacunas de conhecimento e ajustes finos.
O respeito pleno a esse encadeamento de fases que compõe o processo tende a aparecer com bastante frequência entre candidatos que chegam competitivos nas provas.
Erros comuns sobre o perfil do aprovado
Antes de falar sobre o que costuma funcionar, vale comentar alguns equívocos que concurseiros cometem com uma certa frequência.
1) Achar que só passa quem é “gênio”
Esse é um dos mitos mais comuns. É claro que existem alunos extremamente talentosos. No entanto, a grande maioria dos aprovados não se encaixa nesse perfil.
Na prática, o que se observa com mais periodicidade são pessoas persistentes e organizadas, que conseguem manter o ritmo de estudos por bastante tempo.
2) Querer resultados muito rápidos
Outro erro comum é entrar na preparação esperando aprovação em poucos meses ou até mesmo começar a se preparar para um edital específico, em vias de ser publicado, por ser da região onde mora. Ter sucesso nesses casos costuma ser a exceção dentro da Área Fiscal.
Grande parte dos aprovados passou por um período considerável de construção de base antes de alcançar resultados expressivos. E, por muitas vezes, foi aprovado em um local onde não imaginaria ser no início da preparação.
3) Ficar pulando de estratégia o tempo todo
Também é relativamente comum ver candidatos mudando constantemente de método de estudo, material ou adentrando em preparações de pós-edital antes do momento certo.
Esse comportamento acaba interrompendo o processo de consolidação do conhecimento.
O ideal é buscar o autoconhecimento, ou seja, entender o que funciona para a sua realidade concreta e o que não traz resultados tão bons. E ir replicando aquilo que faz sentido ao longo da preparação, como se fosse sua “receita de bolo do sucesso”.
Em muitos casos, manter uma estratégia que funciona pra maioria dos aprovados, validada para a sua realidade e por tempo suficiente já produz bons resultados.
Algumas características comuns dos aprovados da Área Fiscal
Algumas características e virtudes que julgo serem muito importantes, e são plenamente treináveis e praticáveis no processo de estudo para Auditor Fiscal:
- Disciplina e força de vontade: essa é inegociável. Ao olhar para sua realidade com inconformismo e relembrar os motivos pelos quais você começou a estudar, sejam eles quais forem – boa educação aos filhos, uma vida mais digna, uma remuneração melhor, propiciar condições melhores para sua família – você mantém a chama da vontade acesa. Nem sempre você estará motivado: bastar se apresentar, sentar-se à mesa e fazer o que tem que ser feito, sem criar muitos sentimentos, sensações ou ficar se questionando demais;
- Constância: ser constante é repetidamente fazer a mesma coisa. No caso dos estudos, estudar diariamente. A constância é uma habilidade poderosíssima para a aprovação. É óbvio que em alguns dias as coisas saem fora do planejado, mas o mais importante é retornar, o quanto antes, à rotina habitual, aos eixos. Por vezes, você vai estudar menos do que deseja naquele dia, mas 1 horinha que seja já ativa o senso de urgência e o sinal para sua mente de que aquilo é importante, mesmo – reforça o hábito.
- Resiliência: é a capacidade de tomar as “pedradas” ao longo da jornada, levantar-se, sacodir a poeira e continuar. Haverá muitos obstáculos ao longo do caminho, e a forma como você encara esses desafios fará TODA diferença. Seja no próprio estudo, com a dificuldade nas disciplinas, seja nas questões, seja nas reprovações ou até mesmo problemas de ordem pessoal. Você passará por diversas provações, afinal, serão anos de estudo afinco, e a vida não para e não está nem aí que você está estudando para concurso público.
- Paciência: uma aprovação capaz de mudar a vida de uma família jamais será algo fácil ou rápido. Fosse assim, todos buscariam um cargo de alta remuneração e estabilidade como o de Auditor. Uma aprovação é construída dia após dia, sob muitos desafios. Saber que ela é a consequência de uma mudança de hábitos e estilo de vida, e que durará anos para ser alcançada é fundamental para alinhar expectativas, reduzir a ansiedade e evitar frustrações. A paciência é necessário não somente para compreender que a conquista do cargo passa por um processo, mas também para persistir quando você se depara com aquela disciplina “osso duro de roer”. Quem nunca teve dificuldades em Estatística, Contabilidade, TI ou Economia, não é mesmo?
- Neuroplasticidade: o nome é difícil, mas a explicação é simples. Neuroplasticidade é a capacidade do ser humano de aprender com seus erros. E você cometerá muitos deles ao longo da preparação. Entender o motivo pelo qual você erra uma questão, buscar respostas e explicações que facilitem sua compreensão; buscar alterar comportamentos e atos de estudo após uma reprovação, entendendo o que funcionou e o que deve ser evitado. Esse processo incessante de “melhoria contínua”, analisando detalhadamente seus estudos e o que pode ser modificado ou feito de maneira diferente é essencial para a evolução do concurseiro. Afinal, como esperar resultados diferentes se as atitudes e comportamentos são iguais?
Conclusão
O perfil do aluno aprovado na Área Fiscal raramente está ligado a características extraordinárias.
Na maior parte das vezes, trata-se de candidatos que conseguiram construir uma preparação sólida ao longo do tempo, respeitando as etapas do processo.
Entre os comportamentos que aparecem com mais frequência estão:
- constância nos estudos
- planejamento bem estruturado, com revisões frequentes;;
- resolução massiva de questões
- paciência para atravessar a jornada de preparação.
A aprovação não costuma ser resultado de um único fator isolado, mas sim de um conjunto de atitudes que, aplicadas de forma consistente, vão aproximando o candidato do nível exigido pelas provas.
Em muitos casos, o grande diferencial está justamente em permanecer no jogo tempo suficiente para colher os resultados do próprio esforço. Um passo de cada vez!