Principais Bancas da Área Fiscal

Fala, futuro auditor!

Um tema recorrente entre os concurseiros da Área Fiscal é: quais as características das principais bancas da Área Fiscal e a partir de quando vale a pena estudar focando nelas?

Na grande maioria dos casos, especializar-se em uma única banca vale a pena somente a partir de sua contratação pelo órgão fazendário. E, em algumas situações, apenas quando da divulgação do edital.

Cada banca tem um estilo próprio de cobrança, uma forma de interpretar o conteúdo e até um “jeitão” de estruturar a prova. Entender essas diferenças pode ajudar bastante na sua preparação, direcionando sua atenção para tópicos específicos e, principalmente, na elaboração da sua estratégia de prova.

Neste artigo, vamos passar pelas principais bancas da Área Fiscal, com um enfoque maior na FCC, FGV e Cebraspe, além de comentar também sobre bancas menores.


Contextualização do tema

Na Área Fiscal, algumas bancas aparecem com mais frequência na organização das provas. Entre elas, podemos destacar:

  • FCC (Fundação Carlos Chagas) 
  • FGV (Fundação Getúlio Vargas) 
  • Cebraspe. 

Essas três acabam concentrando a organização de boa parte dos concursos relevantes dos Fiscos. Além disso, também surgem bancas menores ou regionais, especialmente em concursos municipais.

Cada uma dessas bancas apresenta:

  • estilos de questões diferentes; 
  • Profundidade de cobrança particular; 
  • formas distintas de cobrar o mesmo conteúdo em diferentes disciplinas.

Por isso, ajustar sua preparação conforme a banca é uma estratégia bem importante a ser aplicada nos meses que restam até a prova.


Erros comuns ao estudar por banca

Antes de entrar nas características de cada uma, vale destacar alguns erros que aparecem com frequência.


1) Ignorar completamente a banca

Alguns alunos estudam a teoria e fazem questões sem olhar para o estilo de cobrança ou particularidades da banca organizadora do certame.

Isso pode gerar dificuldade na hora da prova, principalmente em bancas com perfil mais interpretativo ou mais técnico.


2) Focar na banca cedo demais

Por outro lado, também há quem queira adaptar todo o estudo à banca desde o início da preparação ou muito antes da hora. Dependendo do momento, isso pode não ser o mais eficiente.

Durante a construção da base, muitas vezes faz mais sentido focar em aprender bem o conteúdo e ter uma visão mais generalista de como aquele assunto pode ser cobrado. O ajuste fino para a banca costuma ganhar mais relevância mais para frente.

A partir do momento em que você já possui um bom nível de conhecimento, com o concurso já autorizado, a banca definida e a convicção de que irá prestar aquela prova, é que compensa se dedicar às nuances daquela banca. 


3) Resolver questões de qualquer forma

Não basta apenas fazer questões da banca.

É importante entender o padrão de cobrança, os tópicos mais recorrentes dentro de cada disciplina e o nível de profundidade exigido por ela. Sem essa análise, os benefícios de se fazer questões de uma banca específica tornam-se bem reduzidos e ineficientes.


Estratégia prática de estudo por banca

Fundação Carlos Chagas (FCC)

A FCC é uma das bancas mais tradicionais da Área Fiscal, e vem ganhando mais espaço recentemente. Algumas de suas características recorrentes:

  • cobrança de textos grandes, que exigem uma leitura rápida;
  • forte presença da cobrança da letra da lei seca;
  • questões trabalhosas e que exigem bastantes cálculos em Exatas;
  • aprofundamento e exigência de detalhes em Legislação Tributária Estadual;
  • previsibilidade maior: padrões definidos, com modelos de resolução em algumas disciplinas;
  • gestão de tempo de execução da prova como critério de seleção.

Na prática, é uma banca que valoriza bastante aquele aluno que se especializa na sua forma de cobrança e mapeia seu estilo. Por consequência, as notas de corte costumam ser um pouco mais altas, dando uma margem menor ao cometimento de erros por falta de atenção.

Além disso, as provas da FCC frequentemente vêm com um tempo bem apertado para sua conclusão, o que acaba por exigir do candidato: raciocínio rápido e agilidade na resolução das questões, controle emocional sob pressão, bem como atenção e um olhar treinado para a seleção daquelas questões que devem ser deixadas para o final da prova, seja pela sua dificuldade, seja pelo tempo maior para sua execução.


Fundação Getulio Vargas (FGV)

A FGV já tem um perfil distinto. Algumas características comuns:

  • maior nível de interpretação e abstração, especialmente em Português;
  • mistura de conceitos dentro da mesma questão; 
  • cobrança mais “maliciosa”, com pegadinhas;
  • alternativas que não necessariamente estão erradas, mas que não se relacionam ao que é solicitado no enunciado;
  • profundidade de cobrança elevada em certas questões; 
  • exigência de jurisprudências de Tribunais Superiores, não só em Direito Tributário, mas também nos demais Direitos;

Em suma, é uma banca mais técnica, que avalia o nível de conhecimento do candidato. Porém, não basta saber o conteúdo. É preciso saber interpretar e filtrar informações.

A FGV também costuma “pesar a mão” na cobrança de algumas disciplinas. Matérias como Português, Direito Empresarial, Civil e Exatas podem vir com uma dificuldade significativamente maior.

A necessidade da gestão de tempo aparece por vezes em suas provas também, requirindo agilidade e uma leitura mais diagonal dos candidatos, além da atenção ao que é perguntado no enunciado da questão.


Cebraspe (CESPE)

O Cebraspe tem um modelo bastante característico. Principais pontos:

  • formato “certo ou errado” – penalização por erro (uma errada anula uma certa, em muitos casos); 
  • cobrança mais conceitual; 
  • questões que exploram nuances e exceções. 

Aqui, o jogo muda um pouco. O candidato precisa ter mais segurança nas respostas. Chutar pode ser arriscado, dependendo da estratégia adotada.

É uma banca que exige bastante precisão e controle emocional.


Bancas menores

As bancas menores também aparecem com frequência, especialmente em concursos municipais. Algumas características comuns:

  • nível de dificuldade variável; 
  • possibilidade de cobranças mais literais; 
  • menor padronização no estilo; 
  • às vezes, questões mais imprevisíveis e focadas em detalhes não usuais. 

Em alguns casos, essas bancas podem surpreender, seja por provas mais fáceis, seja por provas bastante complicadas.

Por isso, vale sempre analisar e fazer provas anteriores, quando disponíveis. Quanto mais recente a aplicação da prova anterior, melhor.


Estratégia prática para estudar por banca

Agora, como aplicar isso no seu estudo?

1) Base forte e sólida primeiro

Independentemente da banca, a base teórica continua sendo o principal pilar de uma boa preparação. Sem isso, qualquer adaptação de estilo fica superficial e sem muito resultado prático.


2) Resolver questões da banca

Quando o edital for publicado, o ideal é: priorizar a realização de questões da banca, identificando padrões de cobrança, além de ajustar a forma de leitura e resolução das questões.

O mapeamento de tópicos recorrentes, a compreensão do nível de dificuldade e profundidade exigidos em determinadas disciplinas, bem como a forma com que o assunto é cobrado tornam-se importantes para um bom desempenho na prova.

Essa exposição direta nas questões e seus padrões de cobrança é o que realmente te prepara para o dia D.


3) Ajustar a estratégia de prova

Cada banca pode exigir um comportamento diferente na prova. Por exemplo:

  • na FGV, atenção às jurisprudências e leitura dos enunciados; 
  • no Cebraspe, cuidado com chutes e gestão de risco; 
  • na FCC, atenção à literalidade e agilidade na resolução das questões; 

Esse tipo de ajuste pode fazer a diferença no resultado final.


Dicas práticas

Algumas orientações simples podem ajudar bastante.


a) Crie cadernos de questões por banca

Filtrar questões por banca e aquelas mais recentes ajuda a entender melhor o estilo de cada uma.


b) Analise seus erros

Não basta resolver questões. É importante entender:

  • por que você errou; 
  • qual foi o padrão da cobrança; 
  • se foi falta de conteúdo, de atenção ou de interpretação. 

Esse processo ajuda a evoluir mais rápido. 


c) Treine gestão de tempo

Algumas bancas, como FCC e FGV, costumam trazer provas com o tempo apertado. Treinar isso antes da prova pode evitar surpresas.

Uma sugestão é já cronometrar o tempo de resolução das questões nas últimas semanas, estabelecendo um tempo limite para a resposta de cada uma delas. Vale também já criar esse olhar clínico e o discernimento de quais questões devem ser puladas e deixadas para o final de cada bateria, simulando aquilo que será feito na prova.


d) Não se prenda a uma única banca antes da hora

Um mesmo assunto de uma disciplina pode ser cobrado de diversas maneiras e sob enfoques distintos. 

Ao longo da preparação, diferentes oportunidades podem surgir. Ficar restrito a uma única banca pode limitar suas chances. É importante não afunilar seu olhar antes da hora certa.


Conclusão

Entender o perfil das principais bancas da Área Fiscal é um diferencial importante na preparação. De forma geral, a FCC tende a ser mais direta e requer raciocínio rápido; já a FGV exige mais interpretação e atenção; o Cebraspe cobra precisão e estratégia; e, por fim, as bancas menores podem variar bastante. 

Mas, mais importante do que entender essas características, é saber como adaptar seu estudo e sua estratégia de prova a cada uma delas.

No final das contas, a banca não quer saber como você estudou. Ela vai cobrar. E cabe a você estar preparado para as regras do jogo no dia da prova.

Um abraço!

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