Fala, pessoal ! Tudo certo?
A prova discursiva é um dos momentos mais apreensivos em concursos da área fiscal. Muitos candidatos concentram seus esforços somente na prova objetiva e esquecem que a proa escrita pode ser tão importante e decisiva na aprovação, tendo caráter eliminatório e classificatório. Mais do que demonstrar conhecimento técnico, ela busca avaliar clareza, organização e capacidade de argumentativa do candidato. Por isso, dominar a arte da escrita é tão importante quanto o conhecimento técnico das disciplinas cobradas na área.
Entendendo o perfil da banca examinadora
Cada banca tem seu estilo próprio de cobrança. A FGV, por exemplo, costuma exigir textos mais analíticos, enquanto o Cebraspe, normalmente, valoriza objetividade e precisão. Obviamente, não é uma verdade absoluta e o estilo pode ser alterado entre provas. O que é universal é que conhecer o perfil da banca é fundamental para ajustar a melhor forma de escrever.
Além disso, é comum que os temas da área fiscal envolvam legislação tributária, pois é comum ser o tema com maior incidência. Porém, é comum achar provas discursivas de outras disciplinas. Como meio de exemplo, podemos citar o concurso da SEFAZ MT de 2023, que cobrou uma discursiva relacionada ao direito financeiro, ou o último concurso do ISS São Paulo, também de 2023, que cobrou, em 3 questões discursivas, direito financeiro, auditoria e contabilidade. Por isso, estudar provas anteriores ajuda a identificar padrões e preparar respostas adequadas às exigências dos examinadores.
Estrutura básica de uma resposta discursiva
Uma boa resposta costuma seguir uma estrutura clássica: introdução, desenvolvimento e conclusão. Na introdução, o candidato deve delimitar o tema e apresentar a ideia central. O desenvolvimento é o espaço para organizar argumentos em parágrafos coesos, com clareza e lógica. Já a conclusão deve sintetizar os pontos principais e fechar o raciocínio. É comum candidatos possuírem determinados “esqueletos” em que possuem uma introdução e conclusão pré-elaboradas que permitem sintetizar e desenvolver questões mais rapidamente e com uma maior assertividade para a maior diversidade de temas possíveis.
Técnicas de escrita para clareza e objetividade
Na discursiva, menos é mais. Frases curtas e diretas facilitam a leitura e demonstram segurança, além de evitar possíveis erros relacionados à língua portuguesa. O uso da norma culta da língua portuguesa é obrigatório e essencial, mas sem exageros ou rebuscamentos desnecessários. Como forma de exemplo, no último concurso da SEFA/PR, organizado pela banca FGV em 2023, a escrita da norma culta da língua portuguesa valia mais pontos do que simplesmente o conteúdo teórico da legislação tributária. Usar conectores como “portanto”, “contudo” e “além disso” ajudam a dar fluidez ao texto. A coesão e a coerência são elementos que diferenciam uma resposta mediana de uma resposta excelente.
Além disso, é extremamente importante o embasamento teórico na resposta do candidato, seja mencionando o artigo, a lei, súmulas e jurisprudências consolidadas dos Tribunais Superiores para transmitir segurança, autoridade e domínio do assunto abordado na questão.
Gestão do tempo e prática de redação
O tempo é um recurso escasso durante a prova e o candidato deve saber balancear o tempo distribuído entre a prova objetiva e a discursiva. Por isso, é essencial planejar a resposta antes de começar a escrever com rascunho rápido dos tópicos principais para evitar improvisos e desorganização.
Uma estratégia eficaz é treinar discursivas cronometrando o tempo para ganhar ritmo. Se sobrar tempo, reservar alguns minutos para revisar o texto pode eliminar erros de gramática e melhorar a clareza.
Conteúdo específico para a área fiscal
O tema de maior incidência em provas para se tornar Auditor Fiscal costuma envolver a temática tributária, seja sobre a legislação tributária específica de estados e municípios, seja por meio da jurisprudência dos tribunais superiores, o Código Tributário Nacional e outras leis que tratam do assunto e integram a legislação tributária.
Demonstrar conhecimento atualizado sobre esses assuntos é essencial e um requisito para desenvolver uma boa resposta. Para isso, o candidato deve manter-se atualizado, buscando resolver questões recentes e fazer revisões periódicas sobre os temas do conteúdo programático possíveis de serem cobrados.
Erros mais comuns e como evitá-los
Entre os erros mais frequentes estão a fuga do tema, a repetição excessiva de ideias, uma má gestão de tempo e erros da norma culta da língua. Um dos fatores que contribuem para a incidência nesses erros é a falta de prática da resolução de questões ao longo da preparação para a prova, pois muitos candidatos se assustam quando se deparam com um certame em que devem escrever e desenvolver 20 linhas sobre determinado tema, o que piora quando envolve um assunto em que o candidato não possui pleno domínio.
O exercício ajuda o concurseiro a forçar a mente e a consolidar ideias que não foram possíveis apenas marcando um “x” em uma prova objetiva. Portanto, o treino busca simular o dia da prova e preparar para as maiores adversidades que podem surgir no dia da prova e busca transformar a teoria em resultado, sendo uma forma eficaz de ganhar segurança e identificar pontos fortes e fracos buscando a evolução.
Além dos erros anteriormente citados, vale ressaltar a importância de uma letra legível buscando evitar rasuras no desenvolvimento na questão. É extremamente decisivo que o examinador entenda exatamente o que o candidato está escrevendo, não abrindo espaço para desentendimentos e confusões provocadas pela maneira que a resposta foi escrita, deixando a leitura mais fácil para aquele que atribuirá a nota que pode diferenciar o aprovado do não aprovado.
Conclusão motivacional
A prova discursiva não deve ser vista como um obstáculo, mas como uma oportunidade de se destacar, pois costuma ser uma vulnerabilidade da maioria dos inscritos no concurso.
É comum constatar candidatos alavancarem dezenas de posições somente pela pontuação na prova escrita porque é nela que o candidato mostra não apenas que sabe o conteúdo programático, mas que consegue desenvolver e comunicar seu conhecimento de forma clara e estruturada. Com dedicação, treino e disciplina, é possível abandonar o medo e transformar a escrita em uma virtude, que vai ser determinante na conquista da tão sonhada vaga no certame.