Fala, concurseiro! Vamos conversar nesse artigo sobre Matemática Financeira, uma disciplina que complica a vida de muita gente por aí.
É comum ver pessoas que mandam bem em contabilidade, direito tributário e até tecnologia da informação, mas que travam na hora de fazer uma questão sobre juros compostos. Esse travamento pode ocorrer por diversos motivos e vamos abordá-los aqui.
Se esse é o seu caso, não há motivo para desespero: Matemática Financeira para concursos fiscais é bem mais enxuta do que parece. O conteúdo cobrado nas provas é bem mais objetivo e repetitivo do que a fama da disciplina sugere. O problema, quase sempre, não é a disciplina em si, mas a forma como costuma ser encarada.
Neste artigo, vamos destrinchar o que realmente precisa ser dominado, os mitos que mais atrapalham quem está começando, os erros mais comuns na hora de estudar e algumas dicas práticas para você parar de enrolar com essa disciplina de uma vez por todas.
Matemática Financeira e os mitos sobre ela
Antes de entrar na prática, vale desmontar algumas ideias que rodam na cabeça de quem ainda não começou a estudar Matemática Financeira de verdade.
Mito 1: “Eu preciso dominar matemática para ir bem nessa disciplina”
Dominar não é necessário. Matemática Financeira, dentro do contexto de concurso fiscal, não exige raciocínio matemático avançado, nem entendimento de operações matemáticas complexas. Ela exige entendimento de conceito e domínio de fórmula.
É claro que a parte de matemática básica é importante, sobretudo as operações básicas, adição, subtração, multiplicação e divisão. Mas essa parte é facilmente dominada com algumas poucas horas de estudo.
Mito 2: “É uma matéria gigante, com fórmulas demais para decorar”
Na real, o conteúdo cobrado é bem mais concentrado do que parece à primeira vista. A maior parte das provas de concursos fiscais gira em torno de um número relativamente pequeno de tópicos: juros simples, juros compostos, descontos, e séries de pagamentos (rendas e sistemas de amortização, como Price e SAC).
Sendo que a parte de descontos é bastante relacionada ao conteúdo de juros, pois as fórmulas daquela parte são deduções diretas desse conteúdo.
Matemática Financeira na prática
Vamos descer ao que realmente cai nas provas de concursos fiscais, de forma direta.
Juros simples e juros compostos
São a base de tudo. No regime simples, os juros incidem sempre sobre o valor inicial (capital). Já no regime composto, os juros incidem sobre o valor já acumulado no período anterior, ou seja, “juros sobre juros”. Esse conceito parece óbvio quando explicado assim, mas é justamente aqui que mora boa parte da confusão de quem estuda sozinho: entender por que o composto cresce de forma acelerada, e não apenas decorar a fórmula.
Taxas de juros: nominal, efetiva, proporcional e equivalente
Esse é o bloco que mais assusta no começo, mas que, uma vez compreendido, se torna quase mecânico. O segredo aqui não é decorar quatro fórmulas soltas, e sim entender a lógica por trás de cada tipo de taxa: uma coisa é converter taxa dentro do regime simples (taxas proporcionais), outra coisa é converter dentro do regime composto (taxas equivalentes).
Descontos
Os dois tipos mais cobrados são o desconto simples racional (também chamado de “por dentro”) e o desconto simples comercial (“por fora”). A diferença entre eles está em qual valor serve de base para o cálculo dos juros: o valor presente ou o valor futuro.
Nesses dois tipos, a conversão de valor futuro para presente acontece de maneiras diferentes a depender do desconto aplicado, então buscar entender a razão pela qual há essa diferença é fundamental para desenvolver bem as questões. As bancas gostam de cobrar esse detalhe justamente porque ele costuma ser decorado sem entendimento.
Sistemas de amortização: Price e SAC
São bastante cobrados, principalmente em concursos de maior porte, Receita Federal, por exemplo. O Sistema Price gera parcelas fixas ao longo de todo o financiamento. Já o SAC gera parcelas decrescentes, porque a amortização é sempre constante.
Entender a lógica de como os juros e a amortização se comportam mês a mês em cada sistema é mais importante do que decorar fórmula fechada, porque, assim, fica muito mais fácil replicar o procedimento em diferentes questões.
Erros comuns
Alguns hábitos de estudo atrapalham bastante o rendimento em Matemática Financeira.
- Decorar fórmula sem entender o conceito: funciona por um tempo, mas quebra na primeira questão que muda o contexto ou pede para inverter o raciocínio.
- Pular a teoria e ir direto para questões: sem entender o “porquê” de cada fórmula, o candidato fica refém de decoreba e trava diante de qualquer questão fora do padrão.
- Realizar os cálculos com calculadora. Nas provas, não será permitido o uso, então, desde já, é importante treinar os cálculos a mão.
- Negligenciar a disciplina, porque tem dificuldade em exatas e dá para passar sem saber. Cada vez mais, vemos notas de corte mais elevadas, então ignorar uma disciplina por completo não é uma boa estratégia para chegar competitivo em um concurso da área fiscal.
- Não revisar periodicamente: Matemática Financeira é uma das disciplinas que mais sofrem com o esquecimento quando fica muito tempo sem revisão, justamente por depender de raciocínio e velocidade na resolução de questões.
Dicas práticas
- Gaste muita energia para compreender a parte inicial de juros simples e compostos. Esses conteúdos vão te dar base para entender todas as demais aulas de Matemática Financeira.
- Não tenha medo de dar um passo atrás e rever conteúdos de Matemática Básica, quando tiver dificuldade em realizar contas de multiplicação e divisão com números decimais, exponenciação, entre outras.
- Estude teoria e questão em seguida: depois de entender um conceito, resolva questões daquele mesmo assunto na sequência, para fixar o raciocínio enquanto ele ainda está fresco na memória e já buscar compreender esse viés pratico do conteúdo.
- Refaça questões que você errou, sem olhar a resposta: espere alguns dias e tente resolver de novo do zero. Isso mostra se o erro foi falta de atenção ou falta de compreensão da estrutura de resolução da questão.
- Monte um “formulário” próprio: escrever as fórmulas com suas próprias palavras, incluindo quando usar cada uma, ajuda muito mais do que apenas copiar do PDF.
- Estude por blocos de conceito quando já estiver avançado, porque, quando forem várias questões de um mesmo assunto, a linha de raciocínio que as questões seguem pode ser bem parecido. Então, pode não se extrair muito dos cadernos, pois fica apenas uma repetição mecânica das fórmulas.
Minha experiência
Posso te falar com sinceridade: Matemática Financeira me deu um certo trabalho na minha preparação. Eu lembro de olhar aquela “sopa de letrinhas” nas fórmulas e ficar assustado. Tentei decorar, fiz questões no “achismo” e levei um tempo enxergando resultado ruim, mesmo estudando bastante.
O que mudou de verdade foi quando parei de tentar decorar fórmula e comecei a entender a lógica por trás de cada conceito. Tentei mapear o passo a passo de cada questões e buscar replicar nas próximas, sempre buscando analisar o viés prático de cada assunto.
A partir desse momento, meu desempenho começou a melhorar, pois consegui não apenas fazer questões repetidas, mas também raciocinar e resolver questões inéditas.
Conclusão
Matemática Financeira pode assustar muita gente que tem medo de exatas, mas, na prática, é uma das disciplinas mais objetivas do ciclo básico dos concursos fiscais. O conteúdo cobrado é concentrado, os conceitos se repetem entre os assuntos e, uma vez que a base é bem entendida, o conteúdo passa a render questão atrás de questão.
O segredo não está em decorar fórmula, nem em ser “bom em exatas”. Está em entender o conceito, treinar com constância e revisar com frequência para não deixar o raciocínio enferrujar.
E se você quer parar de enrolar com essa matéria, e com qualquer outra do ciclo básico, contar com uma orientação estruturada faz toda diferença. Um planejamento adequado evita que você perca tempo estudando do jeito errado ou travado em um assunto sem saber por quê.
Conte com a orientação dos professores da Guruja para destravar Matemática Financeira, e todo o resto da sua preparação, até a sonhada aprovação.