Uma das maiores dificuldades que surgem após a publicação de um edital é decidir onde investir o tempo disponível.
Afinal, quase todo edital da Área Fiscal possui uma característica em comum: há mais conteúdo para estudar do que tempo.
É justamente nesse momento que muitos candidatos cometem um erro grave. Tentam dar a mesma atenção para todas as disciplinas e todos os assuntos, como se tudo tivesse o mesmo impacto na nota final.
Olha só: a prova não funciona dessa maneira. Existem disciplinas com maior peso, assuntos mais recorrentes e conteúdos que oferecem um retorno muito maior do que outros. Saber identificar essas diferenças é uma das habilidades mais importantes para quem deseja uma aprovação.
Contextualização do tema
Quando um edital é publicado, o aluno passa a lidar com uma limitação inevitável: o tempo.
Mesmo candidatos com carga horária elevada precisam fazer escolhas.
Por isso, a pergunta passa a ser: “Como vou distribuir meus esforços da forma mais inteligente possível?”
A priorização adequada busca justamente maximizar o retorno de cada hora investida ao priorizar matérias.
E essa análise normalmente passa por três fatores principais:
a) peso da disciplina na prova;
b) seu nível atual de conhecimento;
c) custo-benefício do aprofundamento naquele conteúdo.
Erros comuns ao priorizar matérias
1) Estudar todas as disciplinas igualmente
Esse é um dos erros mais frequentes.
Imagine um concurso em que:
- Direito Tributário possui peso 2;
- Legislação Tributária Estadual possui peso 2;
- Contabilidade Geral e Avançada possui peso 2;
- História e Geografia do ente possui peso 1.
Faz sentido investir exatamente a mesma quantidade de tempo em todas elas?
Provavelmente não. O impacto na nota final é bem diferente.
2) Ignorar o próprio nível de conhecimento
Outro erro comum é olhar apenas para o edital.
Dois candidatos podem estar prestando a mesma prova e precisarem de estratégias completamente diferentes. Por exemplo:
Um aluno que já estudou Contabilidade durante um bom tempo talvez precise apenas revisar e resolver questões, dedicando-se à manutenção do conhecimento.
Já outro aluno que não possui um bom desempenho na matéria precisará dedicar muito mais energia para alcançar um nível competitivo.
3) Querer fechar todo o edital com profundidade máxima
Esse erro costuma aparecer bastante em Pós-Edital.
O candidato tenta aprofundar todas as disciplinas, inclusive aquelas de baixa relevância para a nota final.
O resultado costuma ser previsível: falta tempo para consolidar justamente as matérias mais importantes e que definirão o resultado da prova.
4) Investir muitas horas em assuntos de baixa incidência
Dentro de uma mesma disciplina, alguns tópicos aparecem constantemente e outros quase nunca são cobrados.
Nem sempre vale a pena gastar várias horas tentando dominar um assunto extremamente complexo que historicamente são pouco cobrados, enquanto temas centrais ainda apresentam lacunas de conhecimento e não estão completamente dominados.
Estratégia prática de estudo
1) Analise o peso das disciplinas
O primeiro passo é entender como a banca distribui a pontuação.
Suponha um cenário hipotético:
- Legislação Tributária – peso 2
- Direito Tributário – peso 2
- Contabilidade Geral e Avançada – peso 2
- Tecnologia da Informação – peso 2
- Economia e Finanças Públicas – peso 1
- História e Geografia do Estado – peso 1
Em um cenário como esse, faz sentido que as disciplinas de peso 2 recebam uma parcela maior do seu tempo, principalmente se não houver mínimos por disciplina na prova.
Uma distribuição possível poderia ser:
- 60% a 70% do tempo para disciplinas de maior peso;
- 30% a 40% para as demais.
Os percentuais exatos variam conforme o edital e o perfil do candidato, mas a lógica permanece.
2) Considere seu nível atual de conhecimento
Depois de analisar os pesos, avalie seu nível de conhecimento em cada disciplina. Uma forma simples é classificá-las em:
a) disciplinas fortes;
b) disciplinas intermediárias;
c) disciplinas fracas.
As disciplinas fortes geralmente demandam menos atenção e apenas revisões espaçadas.
Já as disciplinas fracas podem exigir mais repetição e a execução de centenas de questões, principalmente se for uma matéria com um peso considerável na prova.
3) Faça a análise de custo-benefício
Esse ponto é extremamente importante em Pós-Edital. Pergunte-se:
“Quanto tempo preciso investir para ganhar quantos pontos?”
Por exemplo:
Imagine que você possua um excelente domínio de:
- Direito Tributário;
- Legislação Tributária;
- Contabilidade.
E esteja pensando em aprofundar um tema extremamente específico de Economia que costuma gerar apenas uma questão.
Talvez seja mais eficiente investir esse mesmo tempo revisando conteúdos de alto peso, reduzindo erros em disciplinas que possuem muito mais impacto na nota final.
4) Priorize os assuntos mais cobrados
O mesmo raciocínio vale dentro das disciplinas. Nem todos os tópicos possuem a mesma incidência.
Antes de aprofundar temas raramente cobrados, procure identificar:
- quais assuntos aparecem com maior frequência;
- quais tópicos possuem maior histórico de questões;
- quais assuntos costumam ser favoritos daquela banca específica.
Essa análise costuma gerar um retorno bastante significativo.
Dicas práticas
a) Monte uma matriz de prioridade
Você pode utilizar três critérios:
- peso da disciplina;
- nível de conhecimento;
- frequência de cobrança.
Quanto maior a combinação desses fatores, maior deve ser a prioridade.
b) Evite apego emocional às disciplinas
Todo aluno possui matérias favoritas. Mas a prova não premia aquilo que você gosta de estudar. Ela premia pontos.
Às vezes será necessário dedicar mais tempo justamente às disciplinas que você menos aprecia.
c) Revise constantemente as matérias mais relevantes
As disciplinas de maior peso normalmente merecem contato frequente.
Isso ajuda a evitar perda de desempenho justamente onde estão os pontos mais valiosos da prova.
d) Saiba quando parar de aprofundar
Existe um momento em que continuar estudando determinado assunto gera retornos cada vez menores. O custo marginal em se aprofundar mais naquele tópico é reduzido, ou seja, você aplicará um esforço muito grande para ter um baixo acréscimo de desempenho
Muitas vezes, os primeiros 80% do desempenho vêm de uma parcela relativamente pequena dos conteúdos mais cobrados.
Para quem já é aluno da Guruja, não há muito com o que se preocupar: o planejamento já é montado tomando como base o nível de conhecimento do aluno, o peso da disciplina na prova e a importância dos assuntos dentro de uma mesma matéria. As atividades recebem categorizações de acordo com sua relevância.
Dessa forma, o tempo é melhor alocado em disciplinas e conteúdos mais importantes, que possuem maior probabilidade estatística de serem cobrados naquela prova, por aquela banca. E, se bater aquela dúvida, converse com seu professor, pois ele dará o direcionamento adequado sobre o que priorizar.
Conclusão
Saber priorizar matérias é uma das competências mais importantes na preparação para concursos públicos.
Principalmente em Pós-Edital, quando o tempo se torna um recurso ainda mais escasso.
De forma geral, uma boa estratégia costuma considerar:
- o peso da disciplina na nota final;
- seu nível atual de conhecimento;
- a frequência de cobrança dos assuntos;
- o custo-benefício do aprofundamento.
Não existe fórmula mágica. Mas existe uma lógica que costuma funcionar muito bem.
Seu objetivo não é dominar absolutamente tudo do edital. Seu objetivo é maximizar sua nota, convertendo o conhecimento em pontos na prova.
E isso passa por fazer escolhas inteligentes.
A banca não vai premiar quem estudou mais assuntos e possui um aprofundado nível de conhecimento em alguns deles. Ela vai premiar quem acertou mais questões. É o famoso “um oceano de conteúdo com um palmo de profundidade”.
Portanto, direcione seus esforços para aquilo que realmente move o ponteiro da sua aprovação.