Entrei no mundo dos concursos aos 13 anos, pelos pré-militares, seguindo toda a família (pai, tios, primos e irmão). Em 2000, não logrei êxito, ficando no cadastro de reserva do Colégio Naval. Não desisti e segui em frente.
No ano seguinte, mais cascudo, consegui passar em diversos concursos (Colégio Naval, EPCAR, Colégio Militar, dentre outros), podendo escolher seguir a carreira na Marinha.
Em meados de 2008, faltando menos de 6 meses para me formar e menos de 1 ano para a famosa Viagem de Ouro, veio um grande baque: fui desligado da Marinha. Saí com uma mão na frente e outra atrás. Sem grana e sem diploma. Arrasado.
Não fiquei me lamentando por muito tempo, nem procurei eleger culpados. Me virei novamente para o concurso público, mas agora em outro nível. Ainda em 2008, comecei a estudar focado na área fiscal. Além disso, tive que correr atrás de uma nova faculdade.
Após 87 semanas de estudo intenso, fui aprovado no 1º concurso da área fiscal que tentei (ISS/RJ 2010), antes mesmo de me formar. Com muita persistência, consegui fazer todas as matérias que faltavam na faculdade, graças ao reitor que me deixou fazer 12 disciplinas no segundo semestre de 2010. Me formei em DEZ/2010, colei grau extraordinariamente em MAR/2011 e tomei posse no cargo que ocupo até hoje em MAI/2011. Nem diploma eu tinha ainda. Ou seja, depois de dar “tudo errado”, deu “tudo certo”. O que aprendi? Faça a sua parte e acredite SEMPRE. Se tiver que ser, será.
A Guruja é um capítulo à parte. Quando criamos a empresa, o objetivo era claro: entregar mais por menos. Sabíamos que era possível entregar um serviço de mais qualidade por um preço menor do que o mercado cobrava do já tão combalido concurseiro. E deu tão certo que, rapidamente, tivemos resultados avassaladores.
Embora eu ame orientar alunos individualmente, hoje fico mais nos bastidores, coordenando a nossa indescritível equipe técnica. Sabe aqueles cadernos de questões certeiros e bizus maravilhosos? Aquelas metas que fazem com que o aluno só precise sentar e executar, sem perder mais tempo com nada? Pois é, tudo isso é feito por essa equipe top.
Ainda temos muita gente para ajudar nessa jornada tão dura do concurso público. A Guruja vai seguir evoluindo sempre. É só o começo!
A Engenharia Metalúrgica foi o plano A que não deu certo. Me formei, mas o mercado estava péssimo. Tentei a Engenharia Mecânica, cogitei o mestrado, mas a verdade é que não tinha vocação para nada daquilo. Em 2016, decidi virar concurseiro.
Comecei mirando a Receita Federal, como quase todo mundo na área fiscal. No meio do ano saiu o ICMS-MA. Prestei com pouca experiência e fiquei no cadastro de reserva — 145º lugar. Não passei, mas aprendi algo importante ali: dava para competir.
Então veio a seca. A área fiscal sumiu do mapa, nenhum edital, nenhum boato. Em certo momento quis largar tudo, tirar um mês de folga. Foi aí que aprendi a lição mais valiosa da minha trajetória de concurseiro: constância vence intensidade. Não adianta estudar dez horas por dia se você não sustenta o ritmo. O segredo é achar uma rotina razoável e, acima de tudo, sustentável — especialmente na seca.
Com a área fiscal parada, olhei para o lado e tentei a área de controle. Fiz o TCE-PE e o TCE-PB. Fiquei no cadastro de reserva do TCE-PE. Parecia frustração, mas esses concursos me deram base sólida em matérias como AFO e TI, que o pessoal da área fiscal costuma deixar só para o pós-edital. E me mantiveram motivado — nada se compara à energia de um edital aberto.
Quando saíram os
editais de Goiás e Santa Catarina, eu estava pronto. Em GO, fui aprovado em 3º lugar. Em SC, 31º. Nesse meio tempo, fui chamado no cadastro de reserva do TCE-PE e atuei como Analista de Controle Externo por 9 meses — até ser nomeado em SC, o cargo que eu realmente queria. Não tomei posse em Goiás. Anos depois, o ICMS-MA também me chamou.
Olhando para trás, entendo que as reprovações foram fundamentais. Se tivesse passado de primeira nos TCEs, provavelmente teria parado de estudar com o mesmo afinco e não teria chegado ao fisco.
Hoje, além do cargo de Auditor Fiscal, trabalho com tecnologia na Guruja — integrações, automações, suporte técnico — enquanto o Bruno cuida do core da plataforma. Aprendo todos os dias com a equipe, especialmente o time de TI. Nunca imaginei ajudar a construir uma empresa assim: do tamanho que a Guruja tem hoje, com uma equipe como a nossa, entregando resultados que ainda me surpreendem. É um motivo de satisfação constante.
Em 2016, três anos após me formar em Engenharia Civil, eu já estava completamente desiludido com a profissão. Instabilidade, pressão constante, desvalorização e uma insegurança permanente sobre o futuro faziam parte da rotina. Foi naquele ano que tomei uma das decisões mais difíceis da minha vida: abandonar a área, encerrar os trabalhos em andamento e começar do zero.
Não foi uma escolha fácil. Ouvi de tudo:
“Você vai largar tudo para estudar para concurso?”
“Concurso é carta marcada.”
“Vai ter que abrir mão de muita coisa.”
E era verdade. Abrir mão virou parte do processo.
Comecei a estudar ainda em 2016 e logo vieram as primeiras provas: ISS Teresina, TRT Sergipe… e as primeiras reprovações. Resultados compatíveis com o pouco tempo de preparação, mas que já exigiam algo que ninguém ensina: aprender a lidar com o “não”.
Vieram outros concursos, outras tentativas, outras quedas. Em 2017, com a escassez de concursos fiscais, precisei migrar temporariamente para outras áreas. No meio desse turbilhão, descobri que seria pai. A responsabilidade aumentou, a pressão também. Mesmo estudando o máximo possível, os resultados não vieram: TCE/PE, TRT/CE, TST. Mais reprovações.
Até ali, já eram várias tentativas frustradas, acumulando dúvidas, inseguranças e a sensação constante de estar ficando para trás.
Em 2018, iniciei o ano com mais uma reprovação, no TCE/PB. A próxima grande prova seria a SEFAZ/GO. Estudei muito, me preparei com seriedade, mas o resultado novamente não foi o esperado. Aquela foi uma das derrotas mais duras: eu sabia que tinha feito o meu melhor.
Pouco tempo depois, surgiu o edital da SEFAZ/SC. O cenário era desafiador: edital extenso, dois dias de prova, concorrência fortíssima, pouco tempo para estudar e uma confiança abalada. Eu estava endividado, cansado, com uma filha pequena em casa. Ainda assim, desistir não era uma opção.
Segui estudando. Um dia de cada vez. Sem promessas, sem ilusões. Apenas fazendo o melhor possível.
Fiz a prova sem grandes expectativas. Saí achando que, provavelmente, não seria daquela vez. Mas, ao conferir o gabarito, algo diferente aconteceu. Pela primeira vez, vi que existia uma chance real. Pequena, talvez. Mas real.
E ela se confirmou.
Em janeiro de 2019, veio a aprovação. Depois de várias tentativas, erros, ajustes, renúncias e madrugadas, o resultado finalmente apareceu. As reprovações ficaram para trás. O que permaneceu foi a certeza de que cada passo — inclusive os que doeram — fez parte do caminho.
Hoje, olho para trás com orgulho. Não apenas pela aprovação, mas por não ter desistido quando tudo indicava que seria mais fácil parar.
Minha história profissional começou em 2005, quando entrei na UFRJ para cursar Engenharia de Alimentos. Naquele momento, meu sonho era claro: trabalhar em uma multinacional e atuar com pesquisa e desenvolvimento de produtos.
Com o passar dos anos, porém, o cenário mudou. O mercado que eu mirava — e que parecia tão promissor — passou a ser ocupado, em grande parte, por engenheiros químicos, cuja formação mais ampla abria portas em diferentes setores, como petróleo, fármacos, bebidas e muitos outros. Para ampliar minhas possibilidades, migrei para Engenharia Química em 2008, acreditando que aquele ajuste resolveria o problema da escassez de oportunidades. Não resolveu.
Em 2013, me formei com a expectativa de conquistar rapidamente meu primeiro emprego, mas me deparei com um país em crise e com um dos maiores destinos profissionais da área — a Petrobras — sem perspectiva de concurso, em meio a escândalos que paralisaram contratações. Para quem acabava de sair da universidade, o mercado privado parecia cada vez mais distante.
Foi então que, no fim daquele mesmo ano, um encontro inesperado mudou minha rota. Reencontrei um amigo de infância que tinha acabado de ser aprovado na SEFAZ/SP. Na época, eu estava prestes a aceitar oportunidades que giravam em torno de R$ 3.000 por mês, quando ouvi dele que o salário inicial de um Auditor Fiscal em São Paulo ficava “por volta” de R$ 15.000. Aquilo plantou uma semente — e, em pouco tempo, virou decisão. Eu queria a minha aprovação.
A partir dali, mergulhei em uma rotina intensa de estudos para resolver minha situação o quanto antes. E, curiosamente, comecei no momento certo: o concurso da SEFAZ/SP havia nomeado 885 candidatos de uma só vez, o que deixou a “fila” da área fiscal mais vazia e abriu uma janela real de oportunidade. Em maio de 2014, fiz meu primeiro concurso com chances concretas e alcancei uma excelente colocação no cadastro reserva do ISS/SP. Eu já sabia: minha jornada não seria longa. No concurso seguinte, em agosto de 2014, fui aprovado dentro das vagas na SEFAZ/RS — e aposentei as canetas muito mais rápido do que imaginava.
Depois dessa virada, aconteceu a maior surpresa: a aprovação não foi o fim da história — foi o começo do meu verdadeiro propósito. Ao acompanhar de perto a trajetória dos alunos, percebi onde estava a realização que eu buscava: no brilho de quem volta a acreditar, no alívio de quem vê o esforço recompensado, na confiança construída dia após dia até a prova. Foi esse contato com o concurseiro real — com suas dificuldades e conquistas — que me fez querer ir além e dedicar minha energia a encontrar, continuamente, as formas mais eficientes de ajudar outras pessoas a cravarem a vaga dos seus sonhos.
A formação em Direito foi quase um acidente. Quando pequeno, eu queria mesmo era ser cientista, mas acabei no curso de Direito porque era a formação do meu pai… e, no fim das contas, eu gostava de ler. Além disso, o curso era noturno – dava para trabalhar. Não virei desenhista porque não aceito palpites nas minhas pinturas, não virei músico porque meu repertório não faz sucesso em festa, e não virei advogado porque, na minha cabeça, advogado honesto não ganhava dinheiro. Mas já que tinha feito Direito, virei concurseiro.
A jornada começou em 2009, aos 21 anos, estudando para a CAIXA com apostila de banca de jornal. Deu certo. Em 2010, veio o MPU, com um cursinho local que oferecia PDFs e videoaulas ainda sem muito padrão. Deu certo de novo – e tive que sair do interior de Minas para assumir o cargo na capital.
Foi no MPU, em 2013, que o destino deu seus sinais. Naquela época, eu considerava estudar para promotor, delegado da PF ou diplomata – carreiras que faziam sentido com a minha formação. Área fiscal? Nem passava pela minha cabeça. Mas aí veio uma coincidência estranha: na mesma semana, soube que um colega estava de mudança após ser aprovado para Auditor da SEFAZ/SP, e que o novo servidor que eu iria treinar durante o curso de formação logo partiria para a Receita Federal. Dois sinais na mesma semana? Difícil ignorar. E os boatos furados de que a SEFAZ/MG estava para sair (só veio nove anos depois) deram o impulso final.
Em 2014, encarei minhas primeiras provas fiscais: SEFAZ/MS, ISS/Floripa e SEFAZ/RS. Cada viagem foi uma odisseia, e parecia que nada daria certo. Mas deu. Em 2016, fui nomeado no MS e no RS quase simultaneamente, optando pelo Sul (onde, aliás, uma gaúcha me fisgou). Finalmente conhecia o fisco por dentro – mas, desde a prova de Floripa, uma ideia ficara fixada: gostei daquele lugar e quero morar lá um dia.
Quando menos esperava, em 2018, veio o edital da SEFAZ/SC. Enferrujado e contra todos os prognósticos – a família perguntava: “SC e RS são tão próximos, para quê fazer tudo de novo?” -, mergulhei de cabeça. E quando veio a aprovação, soube que era ali que eu deveria estar. Essa aprovação me aproximou de outros aprovados no fisco catarinense e, daquele encontro, nasceu lentamente a ideia de criar algo diferente: tecnologia voltada aos concursos públicos. Nascia a Guruja.
Hoje, lidero o time de desenvolvimento da plataforma, idealizo novas funcionalidades e ainda faço os primeiros rabiscos de cada interface – resquício daquele desenhista que não virei. Nas horas vagas, toco acordeão e aproveito a natureza de Santa Catarina. Mesmo na era da inteligência artificial, acredito que é a inteligência natural que ainda oferece o caminho mais certo para a libertação.
Tem dado certo…