Reforma tributária 2025/2026: IBS, CBS e IS para concursos

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A reforma tributária brasileira, aprovada com a Emenda Constitucional nº 132/2023 e em processo de regulamentação ao longo de 2024 e 2025, representa a maior mudança no sistema de tributação do país em décadas. E para quem está se preparando para concursos fiscais, ela já se tornou um tema obrigatório.

O IBS, a CBS e o IS, os três novos tributos criados pela reforma, estão no centro das discussões e começam a aparecer com força crescente nos editais e nas provas. Entender como funciona a reforma tributária, qual é a lógica de cada novo tributo e como eles se relacionam com o sistema atual é uma exigência que o aluno que mira cargos fiscais não pode ignorar.

Neste artigo, vamos explicar o que mudou, o que ainda está mudando e como estudar esse tema de forma estratégica, sem se perder no volume de informações que a reforma produziu.

A reforma tributária e o novo sistema de tributação sobre o consumo

O sistema tributário brasileiro sobre o consumo era, até a aprovação da reforma, reconhecido internacionalmente como um dos mais complexos do mundo. A coexistência de tributos como ICMS, ISS, IPI, PIS e COFINS, cada um com sua própria legislação, suas próprias alíquotas, suas próprias exceções e suas próprias obrigações acessórias, gerava um ambiente de insegurança jurídica e de custo operacional elevado para as empresas.

A Emenda Constitucional nº 132/2023 iniciou o processo de substituição desse sistema por um modelo dual de IVA, sigla em inglês para Imposto sobre Valor Agregado. Esse modelo, adotado em mais de 170 países, concentra a tributação sobre o consumo em um número menor de tributos, com uma lógica mais uniforme e previsível.

No Brasil, o novo sistema prevê a criação de três tributos principais. O IBS, Imposto sobre Bens e Serviços, é de competência compartilhada entre estados e municípios e substituirá o ICMS e o ISS. A CBS, Contribuição Social sobre Bens e Serviços, é de competência federal e substituirá o PIS e a COFINS. O IS, Imposto Seletivo, também de competência federal, incidirá sobre bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas e veículos poluentes.

A transição entre o sistema atual e o novo sistema ocorrerá de forma gradual ao longo de um período de vários anos, com previsão de convivência entre os tributos antigos e os novos durante a fase de implementação. Esse período de transição é, em si mesmo, um ponto que as bancas começam a cobrar nas provas mais recentes.

A lógica do IVA dual brasileiro merece atenção especial por parte do aluno. Ao contrário do ICMS e do ISS, que têm alíquotas diferenciadas por estado e município, o IBS terá uma alíquota de referência definida em lei complementar, com possibilidade de ajuste pelos entes federativos dentro de determinados limites. Essa uniformização é um dos pontos centrais da reforma e costuma ser explorado nas questões de prova.

Outro aspecto fundamental é o princípio do destino, que passará a reger a tributação no novo sistema. Enquanto o ICMS atual é cobrado predominantemente na origem da mercadoria, o IBS e a CBS serão cobrados no destino, ou seja, no local onde ocorre o consumo. Essa mudança tem implicações importantes para a distribuição de receita entre os estados e municípios e é um ponto que o aluno precisa compreender com clareza.

Até o momento e após a EC 132/2023, a reforma tributária contou com três outros marcos normativos importantes: a LC 214/2025, a LC 225/2025 e a LC 227/2025.

A Lei Complementar nº 214/2025 passou a ser o principal marco regulatório da reforma tributária. Foi ela que regulamentou, de forma detalhada, o IBS, a CBS e o Imposto Seletivo, estabelecendo as regras gerais de incidência, as bases de cálculo, as alíquotas de referência, os critérios para aproveitamento de créditos e as hipóteses de isenção e não incidência de cada tributo. Para o aluno que estuda a reforma tributária com foco nos concursos fiscais, a LC 214/2025 é leitura obrigatória, pois é a partir dela que a maior parte das questões sobre o novo sistema tributário está sendo elaborada pelas bancas.

Já a Lei Complementar nº 225/2025 é um marco federal que institui o chamado Código de Defesa do Contribuinte, estabelecendo normas gerais sobre direitos, garantias, deveres e procedimentos na relação entre o contribuinte e a Administração Tributária em todas as esferas (União, Estados e Municípios). A lei busca modernizar o sistema tributário ao promover a segurança jurídica, a transparência e a cooperação, incentivando o cumprimento voluntário das obrigações fiscais, reduzindo o contencioso e introduzindo tratamento diferenciado conforme o perfil do contribuinte, com distinção entre o bom contribuinte e o devedor contumaz. Para o aluno em preparação, essa lei complementar merece atenção especial.

Por fim, a Lei Complementar nº 227/2025 integra a regulamentação da reforma tributária do consumo, estabelecendo a estrutura de governança e operação do novo sistema, especialmente do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A norma institui o Comitê Gestor do IBS, responsável por coordenar a arrecadação, fiscalização e distribuição das receitas entre Estados e Municípios, além de disciplinar o processo administrativo tributário desse imposto e uniformizar procedimentos em âmbito nacional. Também define regras gerais sobre o ITCMD e promove ajustes em diversas leis para viabilizar a transição do modelo atual (ICMS e ISS) para o novo sistema, consolidando uma gestão compartilhada e mais integrada da tributação no país. Para os concursos fiscais, essa regulamentação é relevante porque as bancas tendem a cobrar essas especificidades com mais profundidade.

Erros comuns ao estudar a reforma tributária para concursos

Erro 1: Estudar a reforma como se fosse um tema isolado

A reforma tributária não existe no vácuo. Para entendê-la bem, o aluno precisa ter uma compreensão razoável do sistema tributário atual, especialmente do ICMS, do ISS, do PIS e da COFINS. Quem tenta estudar o IBS, a CBS e o IS sem essa base acaba aprendendo apenas os nomes dos novos tributos, sem compreender a lógica da transição e as razões por trás de cada mudança.

Erro 2: Ignorar o período de transição

O período de transição entre o sistema atual e o novo sistema é um dos pontos mais complexos da reforma e, por isso mesmo, um dos mais cobrados nas provas. Alunos que estudam apenas as características do sistema novo, sem dedicar atenção às regras de convivência entre os tributos antigos e os novos durante a fase de implementação, tendem a ter dificuldades com as questões que exploram esse aspecto.

Erro 3: Confundir IBS, CBS e IS

Os três novos tributos têm características, competências e bases de incidência distintas. Confundi-los é um erro que costuma aparecer nas questões formuladas pelas bancas, especialmente aquelas que apresentam afirmações sobre a competência tributária de cada um. O aluno precisa ter muito claro quem institui cada tributo, o que cada um substitui e sobre o que cada um incide.

Erro 4: Estudar com materiais desatualizados

A reforma tributária está em processo contínuo de regulamentação. A Lei Complementar nº 214/2025, que regulamentou o IBS, a CBS e o IS, trouxe um volume enorme de normas novas que ainda estão sendo assimiladas pelos cursos preparatórios e pelos materiais de estudo. Usar materiais desatualizados, que não incorporem a regulamentação mais recente, pode levar o aluno a aprender regras incompletas ou superadas.

Erro 5: Subestimar o Imposto Seletivo

O IS costuma receber menos atenção nos estudos do que o IBS e a CBS, mas ele aparece com frequência crescente nas provas. Suas hipóteses de incidência, sua relação com o princípio da seletividade e suas implicações para os setores afetados são pontos que merecem atenção específica e não devem ser deixados para o último momento.

Erro 6: Não acompanhar as novidades legislativas e regulamentares

A reforma tributária é um tema vivo, que evolui à medida que novas leis complementares, decretos e regulamentações são publicados. O aluno que estuda o tema apenas uma vez e não se mantém atualizado corre o risco de chegar à prova com um conhecimento defasado, especialmente em concursos realizados nos anos de 2025 e 2026, quando a produção normativa sobre o tema está em ritmo acelerado.

Como estudar a reforma tributária de forma estratégica

1) Revise o sistema tributário atual antes de começar

Antes de se aprofundar nas novidades trazidas pela reforma, dedique um momento para revisar as características do ICMS, do ISS, do PIS e da COFINS. Entender o que cada um desses tributos representa e por que foram substituídos facilita muito a compreensão da lógica do novo sistema e das razões que motivaram cada escolha feita pela reforma.

2) Estude os três novos tributos separadamente e depois de forma comparativa

Comece pelo IBS, depois passe para a CBS e por fim estude o IS. Em cada um, identifique a competência, o fato gerador, a base de cálculo, as alíquotas e o que o tributo substitui no sistema atual. Depois de estudar cada um individualmente, elabore um quadro comparativo que reúna as principais características dos três. Essa visão de conjunto é essencial para responder questões que exigem a comparação entre eles.

3) Dedique atenção especial ao princípio do destino e ao IVA dual

O princípio do destino e a lógica do IVA dual são os dois conceitos que mais aparecem nas questões sobre a reforma. Entender por que o Brasil optou por um modelo dual, em vez de um IVA único, e quais são as implicações do princípio do destino para a distribuição de receitas entre os entes federativos, são pontos que diferenciam o aluno que realmente domina o tema daquele que apenas memorizou os nomes dos novos tributos.

4) Estude o período de transição com atenção

Reserve um bloco de estudo específico para o período de transição. Entenda em que ano cada tributo começa a ser implementado, como ocorre a redução gradual das alíquotas dos tributos antigos e em que momento os novos tributos passam a operar em plena vigência. Esse cronograma de transição é uma fonte constante de questões nas provas mais recentes.

5) Resolva questões de provas recentes

As questões sobre a reforma tributária que já apareceram em provas realizadas após a aprovação da Emenda Constitucional nº 132/2023 são um guia precioso sobre o que as bancas estão cobrando e como estão formulando as questões. Priorizá-las na resolução de exercícios é uma forma eficiente de alinhar o estudo com o perfil das provas mais atuais.

Dicas práticas para dominar a reforma tributária nas provas

• Monte um quadro comparativo com os tributos que serão extintos e os novos tributos que os substituem. Essa visualização simples evita muita confusão na hora da prova.

• Estude a competência de cada novo tributo com atenção: o IBS é estadual e municipal, a CBS é federal e o IS é federal. Essa distinção é cobrada com frequência.

• Entenda a diferença entre o princípio da origem, que rege o ICMS atual, e o princípio do destino, que regerá o IBS e a CBS. Essa mudança tem implicações importantes e aparece nas provas.

• Não negligencie o Imposto Seletivo. Estude suas hipóteses de incidência e sua relação com o princípio da seletividade e da extrafiscalidade.

• Atualize seu material de estudo regularmente, especialmente no que se refere à Lei Complementar nº 214/2025 e às regulamentações subsequentes.

• Ao resolver questões sobre a reforma, preste atenção à data da prova. Questões mais antigas podem refletir um estágio anterior da regulamentação que já foi superado.

• Estude o Comitê Gestor do IBS, responsável pela administração compartilhada do novo imposto entre estados e municípios, pois é um tema recorrente nas provas sobre o tema.

• Reserve um momento de estudo para as regras do cashback previstas na reforma, especialmente para os contribuintes de baixa renda, pois esse é um ponto que as bancas exploram com frequência.

IBS, CBS e IS: características essenciais para a prova

Para ir bem nas questões sobre a reforma tributária, o aluno precisa dominar as características essenciais de cada um dos três novos tributos. Vamos percorrer os pontos mais importantes de cada um.

O IBS, Imposto sobre Bens e Serviços, é o tributo que substitui o ICMS e o ISS. Sua competência é compartilhada entre estados e municípios, e sua administração ficará a cargo do Comitê Gestor do IBS, um órgão colegiado composto por representantes de todos os estados e municípios. O IBS seguirá a lógica do IVA, com direito a créditos sobre as aquisições realizadas pelo contribuinte, e será cobrado no destino do consumo. As alíquotas serão fixadas por cada estado e município, dentro de parâmetros definidos em lei complementar.

A CBS, Contribuição Social sobre Bens e Serviços, substitui o PIS e a COFINS. É de competência exclusivamente federal e será administrada pela Receita Federal do Brasil. Assim como o IBS, a CBS também seguirá a lógica do IVA não cumulativo, com direito a créditos, e será cobrada no destino. A alíquota da CBS será definida em lei federal e sua receita será destinada ao financiamento da seguridade social.

O IS, Imposto Seletivo, é um tributo de competência federal que incidirá sobre a produção, extração, comercialização ou importação de bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Diferentemente do IBS e da CBS, o IS não seguirá a lógica do IVA e não gerará créditos para os contribuintes. Suas alíquotas serão fixadas por lei federal e poderão variar conforme o bem ou serviço e conforme critérios como o grau de nocividade.

O que as bancas estão cobrando sobre a reforma tributária nos concursos

Embora a reforma tributária ainda seja um tema relativamente novo nos concursos, já é possível identificar padrões nas questões elaboradas pelas principais bancas desde a aprovação da Emenda Constitucional nº 132/2023.

As questões sobre a competência de cada novo tributo são as mais frequentes. As bancas apresentam afirmações sobre quem institui o IBS, a CBS e o IS, e o aluno precisa identificar as corretas com precisão. Confusões entre a competência federal da CBS e a competência compartilhada do IBS são exploradas como pegadinhas clássicas.

O princípio do destino e sua diferença em relação ao princípio da origem também aparece com regularidade. As questões geralmente exigem que o aluno explique as implicações dessa mudança para a distribuição de receitas entre os entes federativos, especialmente para os estados exportadores.

O Comitê Gestor do IBS, sua composição, suas atribuições e sua natureza jurídica são pontos que começam a aparecer nas provas com mais frequência, especialmente nas questões de maior dificuldade.

Por fim, as questões sobre o período de transição, incluindo o cronograma de implementação dos novos tributos e as regras de convivência com os tributos antigos, são uma fonte constante de questões e merecem atenção prioritária por parte do aluno.

Conclusão

A reforma tributária é, sem dúvida, um dos temas mais relevantes e mais desafiadores para quem está se preparando para concursos fiscais nos anos de 2025 e 2026. A criação do IBS, da CBS e do IS representa uma transformação profunda no sistema tributário brasileiro, e as bancas já estão incorporando esse conteúdo nas provas com crescente profundidade.

O aluno que enfrenta esse tema com organização, revisando o sistema atual antes de mergulhar no novo, estudando os três tributos de forma comparativa e se mantendo atualizado com a regulamentação, tem grandes chances de transformar a reforma tributária em uma vantagem competitiva real na prova.

A chave está em não tratar a reforma como um tema à parte, mas como a continuação natural do estudo do sistema tributário, entendendo o que muda, por que muda e quais são as implicações práticas de cada mudança.

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