O quadro de peritos criminais federais da Polícia Federal está envelhecendo em ritmo acelerado, e isso aumenta a pressão por novas nomeações e pela abertura de mais vagas em concurso. Para quem estuda para a carreira policial federal, o cenário atual é um forte indicativo de que a demanda por reposição de efetivo deve crescer nos próximos anos.
Um efetivo cada vez mais próximo da aposentadoria
Atualmente, a Polícia Federal conta com pouco mais de 1.000 peritos criminais federais em atividade em todo o país. Desse total, 77% têm 45 anos ou mais, um indicador que mostra o quanto a categoria está concentrada em faixas etárias avançadas.
A situação se agrava quando se observa a projeção de aposentadorias: estima-se que cerca de 30% do efetivo já reúna condições para pedir aposentadoria voluntária até 2028, e há projeções que apontam para quase metade da categoria apta a se aposentar em um horizonte um pouco mais longo. Enquanto isso, apenas 1,6% dos peritos em atividade ingressaram nos últimos cinco anos, o que evidencia o baixo ritmo de renovação do quadro.
Déficit de efetivo já é reconhecido pela categoria
Representantes da categoria estimam um déficit de efetivo entre 10% e 11% em relação ao número de peritos necessários para atender a demanda de perícias em todo o território nacional. Esse descompasso entre a quantidade de profissionais ativos e o volume de trabalho tende a se tornar ainda mais evidente conforme avança a onda de aposentadorias prevista para os próximos anos.
Um dado chama atenção de quem acompanha o cenário dos concursos policiais: existem hoje cerca de 200 candidatos já aprovados no concurso vigente da PF para o cargo de Perito Criminal Federal, mas que ainda não foram nomeados. Esses candidatos aguardam a abertura de novos cargos para finalmente assumir a função.
O que já saiu do concurso mais recente
O concurso mais recente da Polícia Federal, organizado pelo Cebraspe e com resultado final homologado no início de setembro de 2026, ofertou 1.000 vagas imediatas, distribuídas entre os cargos de Delegado (120), Perito Criminal (69), Agente (630), Escrivão (160) e Papiloscopista (21).
- Delegado de Polícia Federal: 120 vagas
- Perito Criminal Federal: 69 vagas
- Agente de Polícia Federal: 630 vagas
- Escrivão de Polícia Federal: 160 vagas
- Papiloscopista Policial Federal: 21 vagas
Para os cargos de Delegado e Perito Criminal, a remuneração inicial fica em torno de R$ 26,8 mil, um dos salários mais altos entre as carreiras policiais do país. Além das vagas já homologadas, o governo federal já sinalizou a possibilidade de nomear parte dos candidatos excedentes de concursos anteriores da PF ao longo do mandato, o que pode incluir novas convocações para a perícia criminal, ainda dependendo de decreto específico.
Por que isso importa para quem estuda para a carreira
A combinação de um quadro envelhecido, baixa reposição nos últimos anos e déficit reconhecido de efetivo forma um cenário estrutural difícil de ignorar. Na prática, isso tende a pressionar o poder público a abrir novos cargos e nomear mais aprovados e excedentes nos próximos concursos.
Para quem sonha em seguir a carreira de Perito Criminal Federal, ou qualquer outra carreira policial, esse é o momento de olhar para o cenário com estratégia. Concursos com histórico de reposição frequente e alta demanda estrutural, como é o caso da perícia federal, costumam abrir novas oportunidades justamente quando o quadro atual não consegue mais sustentar a operação do dia a dia. Começar a estudar agora, antes da publicação de um novo edital, é a diferença entre estar preparado quando a vaga surgir ou ficar correndo contra o tempo.
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