Fala, futuros fiscais!
Quando alguém decide estudar para a área fiscal, é muito comum que o primeiro concurso que venha à cabeça seja o da Receita Federal. Afinal, trata-se de uma carreira conhecida nacionalmente, com excelente remuneração, grande prestígio e muito reconhecimento. Foi assim comigo e com a maioria dos concurseiros que conheço.
Só que, conforme você começa a pesquisar mais sobre a área fiscal, descobre que a Receita
Federal não é a única opção e que, em muitos aspectos, a carreira de Auditor Fiscal de uma SEFAZ estadual pode representar uma escolha igualmente interessante, ou até mais estratégica dependendo do seu momento. Neste artigo, você vai entender as principais diferenças entre esses dois caminhos e alguns critérios que podem te ajudar a decidir onde concentrar sua preparação.
RFB: a porta de entrada para a área fiscal
O cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal sempre despertou admiração. Além do salário elevado, existe um certo glamour associado à instituição e à importância do trabalho desempenhado. Por isso, muitos candidatos iniciam os estudos pensando exclusivamente nesse concurso, sem parar para considerar outras opções dentro da própria área fiscal.
Só que, ao começar a estudar e se aprofundar nesse mundo, é possível perceber que não existe apenas o concurso da Receita Federal. É aí que o concurseiro descobre que existem também as Secretarias da Fazenda (SEFAZ) de todos os estados e do Distrito Federal, além de fiscos municipais que compartilham boa parte do conteúdo estudado para as SEFAZ. Isso muda bastante o panorama de oportunidades disponíveis ao longo da sua trajetória como concurseiro. Comigo não foi diferente. Lá atrás quando sonhei em ser auditor, nem sabia que existiam auditores estaduais. Depois que descobri, passou a ser meu foco de aprovação.
A ideia deste artigo não é dizer que um caminho é melhor que o outro, e sim apresentar os fatores que costumam pesar nessa decisão, para que você escolha o foco com mais clareza e menos achismo.
O que não fazer
Escolher o concurso só pelo prestígio
É natural que o nome “Receita Federal” pese na decisão. O problema é quando essa escolha acontece de forma automática, sem considerar outros fatores relevantes, como a frequência de editais, a remuneração comparada e a possibilidade de escolher onde morar. Prestígio importa, mas não deveria ser o único critério.
Ignorar a quantidade de oportunidades
Enquanto existe apenas uma Receita Federal, há concursos para auditor em praticamente todos os estados, além do Distrito Federal. Um candidato que mira exclusivamente a Receita Federal pode acabar esperando três, quatro ou até cinco anos pela publicação de um novo edital. Já quem se prepara para as SEFAZ costuma encontrar novas oportunidades com mais regularidade, o que aumenta as chances de aprovação (ou aprovações) ao longo do tempo.
Não considerar o reaproveitamento das disciplinas
Os concursos estaduais compartilham uma base de disciplinas bastante semelhante entre si. Normalmente, a diferença fica concentrada na legislação tributária específica de cada estado e em alguma matéria pontual que um edital específico decida cobrar. Já a Receita Federal possui conteúdos mais particulares, como Direito Previenciário, Legislação Aduaneira e Comércio Exterior, que dificilmente terão uso em outros concursos fiscais. Quem não avalia esse ponto pode acabar direcionando o estudo para um conteúdo de aproveitamento mais limitado, sem perceber.
Desconsiderar a questão da lotação
Na Receita Federal, a definição do local de trabalho depende da classificação final e das vagas disponíveis no momento da nomeação, o que pode significar trabalhar longe da cidade de origem. Nas SEFAZ, essa escolha acontece antes da prova, pois você já sabe em qual estado vai atuar caso seja aprovado. Ignorar esse fator pode gerar frustração mais adiante, mesmo depois de uma aprovação.
Estratégia de escolha e estudo
Não existe uma resposta única sobre qual concurso escolher e é importante desconfiar de quem afirmar o contrário. O que existe são critérios que ajudam a tomar essa decisão de forma mais estratégica. Alguns pontos valem a pena ser avaliados com calma.
Avalie a quantidade de oportunidades disponíveis
Se a sua prioridade é aumentar as chances de aprovação em um prazo mais curto, vale considerar que os concursos estaduais e municipais aparecem com mais frequência do que o da Receita Federal. Isso não significa que mirar a Receita Federal seja um erro, mas é importante ter clareza de que, ao fazer essa escolha, você pode precisar esperar mais tempo pelo próximo edital.
Compare remuneração e carreira com cuidado
Vale pesquisar a remuneração de início de carreira e a progressão de cada órgão antes de decidir. Boa parte das Secretarias da Fazenda estaduais oferece remuneração equivalente ou até superior à da Receita Federal, o que derruba a ideia de que optar por uma SEFAZ significa abrir mão de uma carreira robusta.
Pense no reaproveitamento do estudo
Se você pretende disputar mais de um concurso ao longo da preparação, avalie o quanto o conteúdo estudado pode ser aproveitado em outros editais. Uma estratégia focada nas disciplinas comuns às SEFAZ costuma permitir maior reaproveitamento, já que a base é semelhante entre os estados e também serve de apoio para concursos de fiscos municipais.
Leve em conta onde você quer morar
Se a lotação é um fator importante para você seja por questões familiares, seja por preferência pessoal, os concursos estaduais permitem escolher previamente o estado em que pretende atuar. Não conte com uma futura remoção para fazer sua decisão, pois isso pode demorar. Já quem está mais aberto a se mudar para qualquer lugar do país pode dar menos peso a esse critério na hora de decidir.
Combine os dois focos quando fizer sentido
É perfeitamente possível estudar de forma que aproveite disciplinas comuns entre a Receita Federal e as SEFAZ, mantendo as duas opções abertas por um período, e definir uma prioridade mais adiante, conforme os editais forem sendo publicados. O importante é que essa divisão de foco seja uma escolha consciente, e não uma indecisão constante que atrapalhe o aprofundamento no conteúdo.
Coloque tudo na balança:
Pesquise o histórico de editais de cada carreira (Receita Federal e as SEFAZ que te interessam) para ter uma ideia realista da frequência de oportunidades.
Compare a remuneração inicial e a progressão de carreira, e não apenas o salário de entrada.
Avalie o grau de sobreposição entre as disciplinas dos editais que você está considerando, para saber o quanto do seu estudo pode ser reaproveitado.
Reflita, com honestidade, sobre o quanto a lotação (onde você vai morar e trabalhar) pesa nas suas decisões de vida.
Se optar por manter mais de um foco, defina critérios claros e prazos para revisar essa decisão, evitando ficar “em cima do muro” por tempo demais.
Converse com quem já passou por esse dilema. Aprovados em ambas as carreiras costumam ter boas referências sobre o dia a dia de cada uma.
Conclusão
Escolher entre a Receita Federal e uma SEFAZ estadual é uma decisão pessoal, e não existe uma alternativa objetivamente melhor para todo mundo. Algumas pessoas têm o sonho específico de trabalhar na Receita Federal, e isso é absolutamente legítimo. Outras encontram, nas SEFAZ, uma combinação mais vantajosa de remuneração, frequência de editais e liberdade para escolher onde morar.
O mais importante é que essa escolha seja feita com informação, e não apenas pelo prestígio do nome. Assim você vai evitar frustração e atraso na sua aprovação. Antes de definir seu foco, considere a quantidade de concursos disponíveis, o reaproveitamento das disciplinas, a remuneração comparada e a possibilidade de escolher a região onde pretende construir sua vida. Com esses critérios em mãos, fica mais fácil montar uma estratégia de estudo consistente e seguir avançando, de forma consciente rumo à aprovação.