Fala, concurseiro! Vamos conversar sobre um dos assuntos que mais geram ansiedade na reta final da preparação: a nota de corte. Quem estuda para concurso, cedo ou tarde, cai naquela roda de conversa, ou naquele grupo de WhatsApp, tentando adivinhar qual será a nota de corte do próximo certame.
É natural querer ter esse número na cabeça. Afinal, parece que, sabendo a nota de corte, fica mais fácil planejar o quanto estudar e medir se você já está “pronto” para a prova. O problema é que essa lógica, na prática, não funciona bem, porque a nota de corte não é um número fixo, definido de antemão, e sim uma consequência de vários fatores.
Neste artigo, você vai entender o que realmente é a nota de corte, do que ela depende e como tentar estimá-la de alguma forma.
O que é a nota de corte e como ela realmente funciona
Nota de corte é consequência, não um alvo definido a priori
A nota de corte é a menor pontuação obtida entre os candidatos classificados dentro do número de vagas, somado, quando aplicável, ao cadastro de reserva previsto no edital, se ele vier a ser chamado. Repare que essa definição já deixa claro que a nota de corte é um resultado do processo, calculado depois da aplicação da prova e até da nomeação dos candidatos.
No último concurso da Receita Federal, em 2022, por exemplo, a nota de corte foi não ser reprovado, segundo os critérios do edital, porque, ao longo do certame, todos os candidatos aprovados foram nomeados.
Os fatores que determinam a nota de corte
Basicamente, alguns fatores se combinam para formar a nota de corte de um concurso: o número de vagas e do cadastro de reserva oferecidos no edital, nível de preparação dos candidatos bem qualificados, o nível de dificuldade da prova elaborada, os demais concursos que podem diluir a concorrência. De todos, o nível de dificuldade da prova costuma ser o fator mais determinante e, ao mesmo tempo, o mais imprevisível, porque depende de escolhas da banca que só são conhecidas no dia da aplicação.
Pontuação absoluta x posição relativa no ranking
Esse é o ponto mais importante para entender por que perseguir um número fixo de nota de corte não faz tanto sentido: a aprovação depende da sua posição relativa em relação aos demais candidatos, e não de uma pontuação absoluta predefinida. Se a prova for muito difícil, e a nota de corte cair para um patamar bem mais baixo do que o esperado, quem estiver acima da média de desempenho dos concorrentes será aprovado, ainda que com uma pontuação absoluta “baixa” perto do que se imaginava antes da prova. O contrário também vale: em uma prova mais fácil, pode ser necessário um número bem mais alto de acertos para garantir a aprovação, porque a concorrência também vai acertar mais questões.
Nota de corte: os mitos sobre o tema
Antes de entrar na prática, vale desmontar algumas ideias que fazem muita gente perder tempo e energia com esse assunto.
Mito 1: “A nota de corte pode ser prevista com critérios definidos”
O edital normalmente define o número de vagas e, no máximo, o critério de desempate ou a nota mínima para não ser eliminado por disciplina. Mas a nota de corte, entendida como a menor pontuação entre os candidatos classificados dentro das vagas oferecidas, não é um valor fixado previamente. Ela surge só depois que todos os candidatos fazem a prova, e depende de muitas coisas.
Mito 2: “Dá para estimar a nota de corte olhando o histórico da área ou da banca”
Olhar a nota de corte de concursos anteriores parece uma boa referência e pode até ser a estimativa mais razoável de se fazer, mas ignora um detalhe importante: cada prova tem o seu próprio grau de dificuldade. Uma prova mais fácil tende a gerar uma nota de corte mais alta, porque mais candidatos acertam mais questões. Uma prova mais difícil tende a gerar uma nota de corte mais baixa, mesmo que o número de vagas seja o mesmo. Ou seja, comparar notas de corte de concursos diferentes, sem considerar a dificuldade de cada prova, é comparar coisas que não são, de fato, comparáveis.
Mito 3: “Preciso saber a nota de corte para saber se estou pronto”
Essa é uma armadilha que gera bastante ansiedade e pouco resultado prático. O que realmente importa para a aprovação não é bater um número absoluto de pontos, mas sim ficar entre os candidatos mais bem colocados naquela prova específica.
Erros comuns na hora de lidar com a nota de corte
Definir metas de estudo com base na nota de corte de edições passadas, ignorando que a dificuldade da próxima prova pode ser completamente diferente.
Achar que atingir um determinado percentual de acerto, calculado com base em provas anteriores, garante a aprovação, sem considerar como os demais candidatos se sairão naquela prova específica.
Gastar tempo e energia mental tentando prever a nota de corte antes da prova, em vez de direcionar esse esforço para o próprio estudo.
Desanimar ao sair de uma prova considerada difícil, acreditando que o desempenho absoluto foi ruim, sem lembrar que, nesses casos, a nota de corte tende a cair proporcionalmente.
Dicas práticas para lidar melhor com esse tema
Estude para maximizar o seu desempenho relativo, e não para bater um número absoluto de pontos: o objetivo real é ficar acima da média dos demais candidatos, seja essa média qual for.
Use simulados e questões de provas anteriores para calibrar seu nível de preparo, mas evite fixar uma meta rígida de pontuação como sinônimo de “estar pronto” para a prova.
Depois da prova, avalie sua sensação de dificuldade em comparação com o que você observa entre outros candidatos, em vez de comparar diretamente com a nota de corte de edições anteriores.
Evite gastar energia emocional tentando adivinhar a nota de corte antes do resultado sair: esse esforço não muda o seu desempenho e só aumenta a ansiedade na reta final.
Mantenha o foco em revisar os pontos que mais aparecem nas provas e em treinar bastantes questões, porque isso é o que realmente aumenta a sua chance de ficar entre os candidatos mais bem colocados.
Minha experiência
Eu também já perdi um tempo considerável, em algumas fases da minha preparação, tentando adivinhar qual seria o desempenho que eu deveria buscar, para que conseguisse bater a nota de corte. Eu lembro de analisar provas anteriores da banca do meu concurso, para ter uma noção se estava bem ou não na preparação.
Algumas métricas são até interessantes, na hora de se considerar encarar uma prova ou entrar em um pós-edital, como a de possuir um desempenho médio de 80%. O problema é que, na prática, essas métricas são bastante genéricas.
Em alguns concursos que acompanhei de perto, a prova saiu bem mais difícil do que a anterior, e a nota de corte despencou; em outros, a prova saiu mais fácil, e a nota de corte disparou para um patamar que ninguém esperava. Foi aí que percebi que estava gastando energia com algo que eu não conseguia controlar, e que não mudava em nada a minha estratégia de estudo.
A partir do momento em que passei a focar em me colocar acima da média dos demais candidatos, em vez de perseguir um número fixo de pontos, minha relação com esse assunto mudou completamente. Deixei de me desesperar quando uma prova saía mais difícil do que o esperado, porque já entendia que, nesses casos, a régua de corte também tende a descer junto. Esse foi um dos aprendizados mais importantes da minha preparação, e um dos que eu mais reforço com os alunos que acompanho.
Conclusão
A nota de corte é, no fim das contas, uma consequência de fatores que só se definem no dia da prova: o número de vagas, o perfil dos candidatos inscritos e, principalmente, o nível de dificuldade daquela edição específica do concurso. Por isso, tentar estimá-la com precisão antes da aplicação da prova é um exercício praticamente impossível, e que, na prática, influencia muito pouco a sua real chance de aprovação.
O que realmente importa não é bater um número absoluto de pontos, mas sim ficar acima da média de desempenho dos demais candidatos, seja qual for essa média. E, nesse ponto de se comparar com outros candidatos, utilizar uma orientação de estudos, como a da Guruja, faz toda a diferença.
Na plataforma da Guruja, você será comparado com outros alunos que estão seguindo preparações parecidas com a sua. Assim, você terá uma boa base de comparação, para saber se está no rumo certo ou não e para efetuar correções na estratégia de estudos.
Conte com a nossa orientação, para chegar bem-preparado no concurso dos seus sonhos.