Existe uma situação bastante comum na preparação para concursos: o aluno sente que não está tão bem em determinada matéria, mas não consegue identificar exatamente onde está o problema.
“Estou mal em Contabilidade.”
“Meu conhecimento em Direito Tributário não está legal.”
“Não consigo evoluir em TI.”
Perceber que existe uma dificuldade já é importante. Mas esse diagnóstico ainda é muito genérico. Você está mal em toda a disciplina ou apenas em alguns assuntos? O problema é falta de conhecimento, pouco contato com a matéria ou uma alocação inadequada do tempo? Seu desempenho realmente está baixo ou você está se cobrando excessivamente? E mais: baixo comparado a quem?
Uma das propostas da metodologia da Guruja é justamente transformar essas percepções em informações mais objetivas, possibilitando definir um plano de ação. Por meio dos Reforços Sugeridos, das abas de Comparativos e Desempenhos e do Acompanhamento do Professor, conseguimos identificar lacunas e direcionar melhor os esforços do aluno.
Afinal, quanto mais preciso for o diagnóstico, mais assertivo tende a ser seu tratamento.
Contextualização: primeiro é preciso encontrar as lacunas
Quando falamos em lacunas de conhecimento, é muito fácil imaginar apenas aquele conteúdo que o aluno nunca aprendeu direito. Mas nem sempre é assim.
Às vezes, determinado assunto foi estudado meses atrás e acabou sendo esquecido. Em outros, o aluno possui um desempenho abaixo do esperado porque teve pouco contato recente via revisões com aquela disciplina.
Também pode existir um problema mais específico: ele está bem na matéria como um todo, mas possui alguns tópicos claramente destoantes dos demais.
Por isso, não basta olhar para um percentual geral de acertos. Na Guruja, procuramos analisar diferentes informações para construir essa fotografia da preparação.
E utilizo propositalmente a palavra fotografia: um desempenho ruim hoje não significa que você será ruim naquela disciplina daqui a seis meses. Da mesma forma, estar muito acima da média neste momento não significa que aquela matéria possa ser simplesmente abandonada.
Os dados ajudam a mostrar onde você está. A partir daí, precisamos decidir o que fazer com eles.
Os Reforços Sugeridos e o ataque às lacunas
Os Reforços Sugeridos fazem parte do planejamento e são uma das ferramentas utilizadas para trabalhar dificuldades identificadas ao longo da preparação.
Eles surgem quando o desempenho do aluno em uma atividade fica abaixo da média dos demais alunos que realizaram aquela mesma atividade, seguindo critérios comparativos da Plataforma.
Dependendo do desnível identificado, esse Reforço pode possuir diferentes intensidades: leve, médio e intenso.
A ideia é bastante simples: se apareceu uma deficiência relevante em uma atividade anterior, cria-se uma nova oportunidade de contato com aquele conteúdo. A dificuldade fica, por assim dizer, escancarada. E isso é bom. Muito pior seria continuar avançando sem perceber que aquela lacuna existe.
O Reforço permite voltar ao conteúdo, trabalhar novamente as dificuldades e tentar corrigir desníveis de desempenho antes que eles continuem sendo carregados para frente.
- Reforço não é apenas “fazer mais questões”
Esse ponto é importante. Não adianta abrir o Reforço, responder rapidamente às questões e simplesmente marcar a atividade como concluída. O aluno precisa estar consciente e imerso naquela execução.
Errou? Procure entender por que errou.
Foi desconhecimento? Esquecimento? Confusão entre dois conceitos? Não entendeu uma exceção? A questão apresentou uma forma de cobrança que você ainda não conhecia?
O objetivo é aumentar novamente o contato com aquele conteúdo e utilizar os erros para tentar fechar algumas das lacunas identificadas.
- A importância de não deixar os Reforços acumularem
Existe também uma questão temporal. Quanto mais tempo você demora para executar um Reforço, menos oportuno ele tende a se tornar.
Afinal, ele surgiu em razão de uma dificuldade detectada naquele momento da sua preparação.
Por isso, os Reforços precisam ser gerenciados pelo aluno para que não expirem e aquela oportunidade seja perdida. Eles não estão fora do Planejamento. Eles fazem parte dele e contribuem diretamente para a evolução do aluno.
Aba de Comparativos: como você está em relação aos demais?
Outra ferramenta bastante interessante é a aba de Comparativos. Por meio dela, é possível monitorar pela Plataforma a performance do aluno em relação à amostra dos demais alunos que realizaram as mesmas atividades.
Isso permite responder perguntas importantes.
Meu desempenho está acima ou abaixo dos demais?
Existe alguma disciplina em que estou muito distante da média?
Estou evoluindo ao longo das últimas Metas?
Em quais assuntos específicos minhas dificuldades aparecem?
A Guruja possui uma amostra significativa de alunos que estarão disputando as próximas provas e, naturalmente, parte deles estará entre os futuros aprovados.
Por isso, observar esses dados permite ter alguma referência sobre como seu desempenho se posiciona diante de potenciais concorrentes.
Mas existe um cuidado fundamental: é preciso saber se comparar.
Comparação sem contexto pode gerar conclusões erradas
Imagine um aluno ainda construindo sua base em pré-edital sendo comparado com candidatos que estão em um programa mais avançado.
Ou um aluno entrando agora em determinada etapa enquanto boa parte da amostra já possui maior maturidade naquela preparação.
Naturalmente, os desempenhos podem ser diferentes.
O nível do programa vigente no planejamento e a etapa da preparação, seja pré-edital ou pós-edital, influenciam a maturidade da população analisada e a interpretação dos seus resultados.
Dessa forma, o dado precisa ser interpretado dentro do contexto.
O que os Comparativos permitem analisar?
A ferramenta possibilita diferentes níveis de análise.
É possível verificar, por exemplo:
a) a evolução do desempenho dentro de determinado intervalo de Metas;
b) o desempenho individual em cada Meta;
c) o grau de desvio da sua performance em determinada disciplina em relação aos demais alunos;
d) os assuntos específicos dentro de cada disciplina em que seu desempenho foi maior ou menor;
e) como você se posiciona naquele tópico diante de determinadas faixas da população de alunos.
Além disso, desempenhos considerados outliers são retirados dessas estatísticas, evitando que resultados muito destoantes distorçam a referência apresentada.
Tudo isso permite sair daquele diagnóstico genérico:
“Sou ruim em Contabilidade.”
para algo muito mais útil:
“Meu desempenho geral em Contabilidade está próximo dos demais, mas existe um desnível importante em Demonstração de Fluxo de Caixa – DFC.”
Agora temos algo para atacar. É justamente esse nível de detalhamento que facilita o mapeamento das lacunas.
A aba de Desempenhos: você contra você mesmo
Nem todo aluno gosta de comparação. E tudo bem.
Para esses casos, a aba de Desempenhos também oferece informações bastantes úteis sobre a própria preparação.
O aluno pode selecionar determinado intervalo de Metas e analisar dados como:
a) quantidade de horas estudadas;
b) quantidade de questões resolvidas;
c) desempenho em cada Meta;
d) média de horas de estudo;
e) distribuição do tempo entre as disciplinas.
Essa última informação pode trazer alguns insights interessantes.
Imagine que seu desempenho em Economia esteja caindo. Quando você analisa sua distribuição de tempo, percebe que, nas últimas Metas, a disciplina recebeu muito menos horas do que as demais. Talvez exista uma relação.
Da mesma maneira, pode acontecer o contrário: você está investindo uma quantidade enorme de horas em determinada matéria e o desempenho simplesmente não acompanha o esforço despendido.
Nesse caso, talvez seja necessário investigar como essas horas estão sendo utilizadas.
Perceba como começamos a cruzar informações. Não estamos apenas olhando para o percentual. Estamos tentando entender o que existe por trás dele.
Erros comuns ao analisar as próprias lacunas
1) Transformar a fotografia atual em uma sentença
Estar abaixo dos demais hoje não significa permanecer assim. O gráfico mostra seu momento. Não seu destino.
Utilize a informação para agir, e não para se condenar.
2) Olhar apenas o desempenho geral da disciplina
Às vezes, uma média esconde extremos.
Você pode estar muito bem em metade dos assuntos e muito abaixo nos demais.
Desça para o detalhe sempre que necessário.
3) Ignorar os Reforços
Se o sistema identificou um desnível e gerou uma oportunidade de trabalhar novamente aquele conteúdo, deixar o Reforço expirar significa desperdiçar parte desse mecanismo de correção.
4) Fazer o Reforço no piloto automático
O objetivo não é simplesmente aumentar o número de questões resolvidas. É compreender as dificuldades.
A qualidade da análise dos erros importa bastante.
5) Comparar-se sem considerar o contexto
Comparação pode ser útil. Comparação mal interpretada pode gerar ansiedade e pressão desnecessárias.
Sempre considere seu estágio de preparação e a população com a qual seu desempenho está sendo confrontado.
Estratégia e dicas práticas para fechar lacunas
Uma maneira interessante de utilizar todas essas ferramentas é trabalhar em uma sequência:
Identificar → Investigar → Corrigir → Acompanhar.
a) Identifique
Use Reforços, Comparativos, Desempenhos e seu próprio histórico para localizar os pontos de dificuldade.
b) Investigue
Não pare no percentual. Desça para o assunto. Procure entender também a natureza dos erros.
c) Corrija
Execute os Reforços.
Complemente materiais de revisão quando necessário. Faça novas questões. Volte pontualmente à teoria se perceber uma lacuna conceitual relevante.
d) Acompanhe
Nas Metas seguintes, observe se o desempenho começou a reagir.
Esse último passo é importante porque permite avaliar se o tratamento escolhido realmente funcionou.
O olhar do professor
Por fim, existe uma informação que nenhum gráfico consegue fornecer sozinho: o contexto.
É aí que entra o acompanhamento do professor. Um professor experiente, que já percorreu aquela trajetória, consegue olhar de maneira mais serena e imparcial para:
- desempenho;
- ritmo de estudos;
- distribuição do tempo;
- evolução ao longo das Metas;
- maneira como os atos de estudo estão sendo executados;
- realidade do aluno
Muitas vezes, o próprio aluno está emocionalmente envolvido demais para fazer essa leitura.
Um percentual cai e ele acha que tudo está errado. Ou consegue alguns resultados excelentes e acredita que determinada disciplina já está completamente dominada.
O olhar externo ajuda a colocar as coisas no lugar.
Às vezes, será necessário aumentar a ênfase em determinada matéria. Em outros casos, redistribuir o tempo. Pode ser necessário reforçar um assunto específico. Ou até perceber que o problema não está na quantidade de horas, mas na própria maneira como o aluno está estudando.
É essa combinação entre dados e experiência que permite recomendações mais assertivas.
Conclusão
Encontrar lacunas de conhecimento não deve ser encarado como algo negativo. Muito pelo contrário.
Uma dificuldade identificada é uma dificuldade que pode ser trabalhada.
O problema maior é possuir lacunas importantes e chegar ao dia da prova sem sequer saber que elas existem.
Os Reforços Sugeridos ajudam a trazer novamente para o Planejamento conteúdos em que apareceram desníveis de desempenho.
A aba de Comparativos permite entender sua posição diante de outros alunos e identificar dificuldades até o nível dos assuntos.
A aba de Desempenhos permite olhar para sua própria evolução, carga horária, questões e distribuição de tempo.
E o acompanhamento do professor ajuda a interpretar todas essas informações dentro do contexto real daquela preparação.
No final das contas, não queremos apenas dizer:
“Você está mal nessa matéria.”
Queremos descobrir:
Onde está a dificuldade?
Por que ela está acontecendo?
O que podemos fazer para corrigi-la?
E, depois dos ajustes, o desempenho começou a evoluir?
Esse processo se repete durante toda a preparação. Porque ninguém chega pronto. As lacunas vão aparecendo. Nós identificamos. Trabalhamos. Acompanhamos. E seguimos em frente.
É justamente essa correção constante de rota que permite ao aluno chegar cada vez mais completo e competitivo no dia da prova.